
02/07/2026
Um pequeno ninho trançado com capim e cabos de fibra óptica, encontrado perto da linha de frente da guerra na Ucrânia, mostra como o conflito, iniciado há mais de quatro anos, também está transformando o ambiente natural do país, segundo pesquisadores.
Ao longo dos cerca de 1.200 quilômetros da linha de combate, áreas inteiras estão cobertas por cabos de fibra óptica ultrafinos.
Eles são usados por tropas ucranianas e russas para controlar drones de ataque sem depender de sinais de rádio, o que dificulta o bloqueio eletrônico dos equipamentos.
Os fios podem chegar a 20 quilômetros de comprimento e ficam presos em árvores, espalhados por campos e sobre telhados de cidades próximas às zonas de combate. Sob a luz do sol, formam estruturas que lembram grandes teias de aranha.
Agora, algumas aves começaram a reutilizar os cabos descartados na construção de seus ninhos.
Yana Hrynko, pesquisadora do Museu Nacional da História da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial, em Kiev, examinou cuidadosamente dois ninhos delicados enviados ao museu por integrantes das Forças Armadas que atuam na linha de frente.
“Objetos como ninhos de pássaros com fragmentos de fibra óptica mostram como a própria natureza da guerra mudou”, afirmou.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, usando tanques, veículos blindados e artilharia. Para enfrentar a vantagem russa em armamentos convencionais, a Ucrânia passou a investir fortemente no desenvolvimento de drones. Atualmente, esses equipamentos têm papel central no campo de batalha.
Segundo Hrynko, ainda não se sabe quais espécies construíram os ninhos nem como as aves conseguiram recolher fios tão longos.
“O primeiro ninho é formado principalmente por capim seco e cabos de fibra óptica. O material está trançado de maneira bastante firme”, explicou.
Militares ucranianos que atuam nas regiões de Donetsk, Kharkiv e Zaporizhzhia também relataram ter encontrado estruturas semelhantes e publicaram fotos e vídeos nas redes sociais.
Um dos dois ninhos ficará em Kiev e será incorporado ao acervo do museu sobre a guerra. O outro será enviado para análise na Holanda e depois devolvido à Ucrânia, segundo os pesquisadores.
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