
02/07/2026
O Ministério da Saúde apresentou nesta terça-feira (30) um painel de monitoramento e previsão de calor extremo nos municípios brasileiros.
O sistema avalia as temperaturas a partir do indicador de excesso de calor, que leva em consideração aspectos como a média histórica de cada localidade. As previsões são classificadas, então, como calor "sem excesso", "baixo", "severo" e "extremo".
No último caso, a situação é considerada de calor excepcional e perigoso, com elevado potencial de gerar impactos à saúde, "incluindo aumento de internações e óbitos evitáveis".
"É exatamente para poder emitir alertas aos gestores estaduais e municipais. Dependendo da situação, você pode, inclusive, emitir alertas ao conjunto da população, pelo [aplicativo] Meu SUS Digital e no sistema da Defesa Civil", disse à imprensa o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O painel usa informações sobre ondas de calor, além de índices de vulnerabilidade socioeconômica que classificam os municípios como vulneráveis ou resilientes às mudanças de temperatura.
Neste 30 de junho, por exemplo, o site do Ministério da Saúde aponta que apenas Minas Gerais está "em alerta", porque dois municípios do estado registram "baixo" grau de calor excessivo.
O ministério afirma que o painel permitirá emitir alertas a gestores do SUS com cinco dias de antecedência.
Segundo a pasta, as projeções sobre impacto do El Niño para 2026 e 2027 indicam seca prolongada e risco de incêndios na Amazônia Legal, secas severas no semiárido nordestino, estresse térmico e incêndios no cerrado e no oantanal, ondas de calor e chuvas variáveis no Sudeste. Além disso, podem ocorrer chuvas intensas, com risco de inundações e deslizamentos, no Sul do país.
O Ministério da Saúde orientou que recebam mais atenção neste período idosos, crianças, gestantes, pessoas doentes ou acamadas, trabalhadores expostos ao sol e pessoas em situação de rua.
"A orientação principal é aumentar a ingestão de água e sucos naturais sem açúcar, mesmo sem sentir sede, e evitar bebidas alcoólicas e com alto teor de açúcar. Também é recomendado evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h, usar protetor solar aplicado 30 minutos antes da exposição e reaplicado a cada duas horas, além de chapéus e óculos escuros", afirma o Ministério da Saúde, em nota.
A pasta também anunciou que abrirá oito bases da Força Nacional do SUS até 2027 —em Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), além de unidades no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
"Com esse reforço, as equipes terão capacidade de chegar a qualquer emergência em até 12 horas e iniciar ações compatíveis com a complexidade do desastre em até 72 horas", diz o Ministério da Saúde.
Em novembro de 2025, o ministério anunciou o plano de investir R$ 9,8 bilhões até 2035 no plano de adaptação ao SUS para mudanças climáticas. Segundo Padilha, as mudanças incluem mudar a estrutura de unidades de saúde para que elas resistam ao impacto, por exemplo, das enchentes.
Fonte: Folha de S. Paulo
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