
05/11/2026
O aumento do nível do mar pode parecer um problema dos outros se você mora no interior. Mas, mesmo a quilômetros do litoral, as mudanças no nível do mar podem afetar a oferta dos alimentos que comemos, os produtos que compramos, a energia que usamos e os impostos que pagamos.
O nível do mar deve subir no mínimo entre 28 cm e 55 cm até 2100 caso as emissões de gases de efeito estufa sejam significativamente reduzidas. A elevação, no entanto, pode chegar a entre 63 cm e 1 metro se as emissões permanecerem em níveis muito elevados. E não se pode descartar completamente um aumento superior a 2 metros até 2100. Veja a seguir como a elevação do nível do mar já está afetando nosso dia a dia e expondo pontos fracos em tudo, desde o abastecimento de energia até a infraestrutura:
1. Ameaça às culturas alimentares
A região britânica dos Fens, que se estende por Lincolnshire, Cambridgeshire e Norfolk, abriga 48% das melhores terras agrícolas da Inglaterra e contribui com mais de 7% da produção agrícola do Reino Unido, incluindo cerca de um terço dos vegetais consumidos na Inglaterra. Grande parte dessa região fica no nível do mar ou abaixo dele, o que a torna especialmente vulnerável a inundações e à contaminação por água salina.
A produtividade desta terra depende de uma extensa rede de canais de drenagem, estações de bombeamento e defesas contra inundações. Uma ruptura pode destruir as plantações e deixar o solo hoje produtivo inutilizável por anos. Como os produtos cultivados localmente fornecem apenas cerca de 60% dos alimentos consumidos no Reino Unido, a perda das terras dos Fens, por si só, não esvaziaria as prateleiras dos supermercados britânicos, embora vá aumentar a dependência de importações que, por sua vez, estão expostas à elevação do nível do mar e a outros efeitos das mudanças climáticas.
2. Interrupção no transporte portuário
Cerca de 85% do frete internacional do Reino Unido, em peso, e mais de 80% do comércio mundial de mercadorias são transportados por via marítima. Um terminal alagado em Southampton, em Xangai ou em uma ilha do Caribe atrasa o envio de mercadorias com destino a lojas e fábricas no interior do país.
Mesmo que um porto não seja diretamente afetado por inundações, pode haver interrupções se a infraestrutura que o conecta ao resto da economia for inundada. Ferrovias, estradas, armazéns, subestações elétricas e redes de distribuição de combustível podem ser afetadas por inundações costeiras. A escassez e os aumentos de preços resultantes teriam sérios efeitos em cadeia para as famílias.
3. Danos ao abastecimento de energia
O Reino Unido tem três vezes mais instalações de energia costeiras do que qualquer outro país europeu. Essas instalações incluem refinarias de petróleo, terminais de combustíveis fósseis e de gás natural liquefeito, além de usinas nucleares. A água das enchentes pode inundar equipamentos elétricos, danificar sistemas de controle, interromper o fornecimento de combustível e bloquear as estradas e ferrovias das quais dependem trabalhadores e fornecedores, enquanto a água salgada pode corroer a infraestrutura e complicar os reparos.
Danos simultâneos a várias instalações, ou uma interrupção prolongada em um grande terminal de combustível ou na conexão elétrica, poderiam tornar mais difícil manter o abastecimento confiável. Mesmo quando a geração de eletricidade continua, danos a subestações e outras infraestruturas da rede podem impedir que a energia chegue aos consumidores. Isso tem implicações para as contas de energia das famílias, a produção industrial e a confiabilidade do fornecimento de eletricidade.
Veja os dois outros pontos clicando na Folha de S. Paulo
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