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Abutre ameaçado volta a santuário no Camboja

02/07/2026

Uma espécie de abutre criticamente ameaçada de extinção e de importância crucial voltou a ser avistada no Santuário de Vida Selvagem de Lomphat, no Camboja, pela primeira vez em 10 anos. O retorno do abutre-de-dorso-branco ocorre após um longo trabalho para recuperar a população local, que havia sido dizimada por um incidente de envenenamento. Desde então, foram realizados esforços para ampliar a oferta de habitat e alimento e reduzir o risco de novos casos como esse.
Neste mês, pesquisadores registraram um abutre-de-dorso-branco em um “restaurante de abutres” instalado dentro do santuário e administrado pela NatureLife Cambodia. O reaparecimento da espécie animou tanto os responsáveis pela organização quanto os conservacionistas que atuam na área. Bou Vorsak, diretor executivo da NatureLife Cambodia, classificou a redescoberta como um marco importante para o trabalho de conservação de longo prazo da organização. “Como parceiros do Ministério do Meio Ambiente, trabalhamos há anos para proteger a vida selvagem, particularmente no Santuário de Vida Selvagem de Lomphat”, disse Vorsak. “O retorno do abutre-de-dorso-branco demonstra que nossos esforços de conservação estão fazendo a diferença, melhorando as condições do habitat e garantindo uma fonte de alimento confiável.”
O levantamento que identificou o abutre-de-dorso-branco também registrou cinco abutres-de-cabeça-vermelha, outra espécie classificada como criticamente ameaçada pela IUCN e que também faz parte dos esforços de conservação desenvolvidos no Santuário de Lomphat. Os abutres desempenham um papel vital, embora pouco reconhecido, nos ecossistemas, pois consomem rapidamente as carcaças de animais de grande porte. Com isso, ajudam a prevenir surtos de doenças e aceleram a reciclagem de nutrientes no solo, de forma mais eficiente do que bactérias e insetos.
Por se alimentarem exclusivamente de carniça, essas aves enfrentam alto risco de envenenamento ao consumir animais contaminados, seja por balas de chumbo ou por agrotóxicos industriais, como o DDT. “O envenenamento continua sendo uma ameaça, apesar de nossas campanhas de conscientização”, disse Vorsak. “O número de incidentes diminuiu significativamente, de mais de 30 casos por ano no passado para cerca de 1 a 3 casos anualmente.”
Além das ações de conscientização, a NatureLife Cambodia mantém um ponto de alimentação que fornece uma grande carcaça aos abutres residentes uma vez por mês, garantindo alimento durante os períodos de escassez e reduzindo o risco de as aves consumirem animais envenenados. Ainda assim, a situação permanece delicada: o levantamento mais recente da organização contabilizou menos de 200 abutres, evidenciando a condição extremamente precária dessas aves.

Fonte: CicloVivo

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