
02/07/2026
A onda de calor histórica que atingiu a Europa Ocidental na última semana arrefeceu na região e se deslocou nesta segunda-feira (29) para a Itália e os Balcãs.
Por mais de uma semana, termômetros do Reino Unido, França, Alemanha e outros países registraram temperaturas recordes, acima da marca de 40ºC, com o calor extremo paralisando cidades, provocando danos em infraestruturas e deixando um rastro de centenas de mortes no território francês.
Nesta segunda-feira, os termômetros na Europa Ocidental haviam retrocedido, com cidades como Berlim registrando temperaturas abaixo de 30°C.
No entanto, meteorologistas advertem que o alívio no oeste do continente não deve durar muito e que os europeus devem sofrer com novas ondas de calor extremo ao longo de verão.
Luca Mercalli, presidente da Sociedade Meteorológica da Itália, afirmou que as temperaturas podem voltar a subir drasticamente já a partir de 5 ou 6 de julho.
"As áreas afetadas são, em linhas gerais, as mesmas da primeira onda, incluindo França, Espanha, Alemanha, Itália, Suíça e, em certa medida, o Reino Unido", disse Mercalli à agência Reuters.
O especialista em meteorologia Karsten Brandt disse ao jornal alemão Bild que tudo vai começar de novo. "As temperaturas ultrapassarão os 30ºC neste fim de semana. Depois disso, elas subirão ainda mais. O modelo meteorológico mostra um sistema de alta pressão deslocando-se do Atlântico em direção à França e à Bélgica. Lá, as temperaturas poderão novamente superar os 40°C."
A atual onda de calor, que teve início em 20 de junho, é a mais severa já registrada na Europa e teria sido "virtualmente impossível" tão cedo no verão sem as mudanças climáticas, afirmaram cientistas do World Weather Attribution. O Serviço Meteorológico Alemão (DWD) classificou a onda como histórica.
Recordes históricos de temperatura foram quebrados na Alemanha, Polônia e República Tcheca, bem como no mês de junho no Reino Unido e na Suíça.
Segundo os cientistas, as mudanças climáticas causadas pelo homem tornaram as altas temperaturas noturnas dessa semana cem vezes mais prováveis do que seriam há apenas duas décadas.
Na Itália, 22 cidades, de Bolzano, no norte, a Palermo, na ilha da Sicília, no sul, estavam sob alerta vermelho de calor nesta segunda-feira.
Fiéis no Vaticano usaram ventiladores para se refrescar e se abrigaram sob guarda-chuvas para se proteger do sol enquanto o Papa Leão 14 proferia sua mensagem do Angelus de uma sacada para a multidão abaixo, na Festa de São Pedro e São Paulo, feriado na cidade de Roma.
Na Croácia, o serviço meteorológico emitiu um alerta vermelho nesta segunda-feira para regiões que incluem a capital Zagreb e os destinos turísticos de Split e Dubrovnik.
Dezenas de bombeiros, auxiliados por quatro aeronaves, combateram um incêndio florestal na ilha turística de Vis, no mar Adriático, a cerca de 55 km a sudoeste de Split.
Na vizinha Sérvia, o Serviço Hidrometeorológico Estatal (RHMZ) alertou que as temperaturas atingiriam 39°C nesta segunda-feira.
Mais ao sul, a Albânia conteve um incêndio florestal que consumiu muitos hectares de arbustos e oliveiras perto de Klos, no sul do país, durante o fim de semana.
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