
07/05/2026
Os microplásticos coloridos não são apenas um problema de contaminação ambiental. Cientistas descobriram que minúsculas partículas de plástico suspensas na atmosfera terrestre podem contribuir para o aquecimento global. O estudo foi publicado na revista Nature Climate Change.
Os microplásticos são um dos poluentes mais disseminados, presentes praticamente em todos os ambientes, desde o ar até os oceanos. Essas partículas invisíveis a olho nu já foram identificadas em alimentos, na água e até em diferentes partes do corpo humano. No Brasil, por exemplo, uma pesquisa identificou microplásticos em cerca de 70% das amostras de frutos do mar analisadas.
Os microplásticos e nanoplásticos geralmente se originam da decomposição lenta de produtos plásticos maiores e fibras sintéticas, variando desde bilionésimos de metro até alguns milímetros de diâmetro. Enquanto os seus possíveis impactos para a saúde e o meio ambiente estão em debate, cientistas da China e dos Estados Unidos descobrem o impacto climático, analisando a cor das partículas.
Como a cor influencia diretamente a absorção ou reflexão da luz solar, ela também determina a quantidade de calor retida na atmosfera. Os pesquisadores analisaram as propriedades ópticas de plásticos de diferentes cores e tamanhos, combinando esses dados com modelos climáticos e padrões de circulação atmosférica. A descoberta foi assustadora: microplásticos presentes no ar são capazes de reter quase um quinto do calor absorvido pelo carbono negro, também conhecido como fuligem.
O estudo descobriu que os microplásticos coloridos absorvem muito mais energia solar do que se imaginava. Enquanto plásticos brancos tendem a dispersar a luz, tons mais escuros, como azul, vermelho e preto, podem absorver até 74,8 vezes mais radiação. Essa energia é convertida em calor, contribuindo diretamente para o aquecimento do ar ao redor.
Além das cores, o tamanho também influencia esse processo, embora em menor grau. Quanto menor a partícula, maior sua capacidade de absorver luz solar. Os nanoplásticos, por exemplo, são extremamente pequenos, permanecem mais tempo suspensos na atmosfera e absorvem proporcionalmente mais energia do que os microplásticos.
Outro fator importante é o envelhecimento dessas partículas no ambiente. Experimentos mostraram que plásticos brancos tendem a amarelar com a exposição à radiação ultravioleta, aumentando sua absorção de luz, enquanto algumas partículas coloridas podem desbotar e refletir mais radiação. Ainda assim, a maioria das partículas se torna mais escura com o tempo, o que intensifica seu efeito de aquecimento.
Embora o impacto dos plásticos no aquecimento do planeta possa ser pequeno em nível global, os cientistas afirmam que não é insignificante. Microplásticos e nanoplásticos produzem cerca de 16% do impacto de aquecimento do carbono negro. Considerado um dos grandes causadores das mudanças climáticas, tal poluente é formado pela combustão incompleta de combustíveis fósseis, biocombustíveis e biomassa.
Em regiões específicas, como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico (área oceânicas onde o plástico se acumula em grandes concentrações), esse impacto pode ser ainda mais intenso e, em alguns casos, até superar o do carbono negro. Para mais detalhes, acesse o artigo, em inglês, na Nature Climate Change.
Fonte: CicloVivo
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