
07/05/2026
Um aterro sanitário nos arredores da capital chilena, Santiago, foi identificado como a maior fonte de emissões de metano de origem humana no mundo. O dado é de um estudo recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Pnuma, com base em imagens de satélite.
O aterro Lomas Los Colorados fica a cerca de 60 quilômetros ao norte de Santiago. Ele lidera uma lista de 50 locais com mais elevados índices de emissões do gás, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.
O espaço recebe resíduos de casas de toda a região metropolitana da capital, onde vivem mais de 7 milhões de pessoas.
De acordo com o levantamento, o lixo gera mais de 102 mil toneladas de metano por ano. Esse volume equivale às emissões anuais de quase 2 milhões de carros e supera em aproximadamente 20 mil toneladas o segundo colocado do ranking, uma instalação de petróleo e gás no Turcomenistão.
O gás de efeito estufa é liberado pela queima de combustíveis fósseis, aterros sanitários com vazamentos e produção agropecuária. Ele aquece o planeta até 80 vezes mais do que o dióxido de carbono, mas tem vida mais curta na atmosfera. Enquanto o CO2 leva séculos para se dissipar, a escala do metano é medida em décadas.
Por isso, e por ser responsável por cerca de um terço de todo o aumento nas temperaturas planetárias, cortes nas emissões de metano são apontados como uma estratégia de curto prazo para desacelerar a mudança climática.
"[O aterro] é uma megafonte de metano que pode ter efeitos não apenas no Chile, mas em nível global", afirma Juan José Garces, chefe do Departamento de Engenharia Civil e Meio Ambiente da Universidade de Santiago.
De acordo com o Sistema de Alerta e Resposta ao Metano do Pnuma, um quarto de todas as emissões que alteram o clima são deste gás.
"Morar ao lado desse aterro significa que eles vêm tornando nossa vida miserável 24 horas por dia desde que se instalaram ali —por causa das moscas, do mau cheiro e do lixo deixado do lado de fora, lixo que acaba aqui na nossa propriedade", conta o aposentado Patricio Salgado, 70, morador da região.
"Não podemos fazer nada, absolutamente nada [contra o aterro], porque essas empresas são tão poderosas que compram as pessoas", diz ele.
A KDM, empresa responsável pela gestão do aterro, informou que mantém desde 2007 um programa de captura de metano para a produção de biogás, usado para abastecer uma usina local. Em nota à Reuters, a companhia disse que o estudo do Pnuma "não permite tirar conclusões representativas".
Marcelo Mena, professor da Escola de Engenharia e Química da Universidade Católica de Valparaíso. afirma que é preciso acelerar a adoção de técnicas para digestão anaeróbia ou compostagem, que reduzem tanto o mau cheiro como as emissões de metano.
"Existe um problema real aqui que precisa ser enfrentado. E esse problema também afeta as comunidades, que muitas vezes são impactadas pelos maus odores de origem sanitária", diz Mena.
Fonte: Folha de S. Paulo
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