
24/03/2026
Abraçado a um elefante de pelúcia que tem o dobro do seu tamanho, um filhote de sagui-de-pés-brancos (Saguinus leucopus) se recupera antes de ser solto em um centro de reabilitação em Santuario, no departamento colombiano de Risaralda, um caso que lembra o do famoso macaco Punch, do Japão.
Seus cuidadores, porém, não lhe deram nome e evitam o contato ao máximo, inclusive o alimentam fantasiados com uma máscara de mico, para que o animal de dois meses tenha mais chances de voltar à vida selvagem.
O filhote que abraça e dorme junto ao brinquedo remete ao hábito de Punch, um bebê macaco-japonês (Macaca fuscata) que se agarrou a uma pelúcia de orangotango da loja de decoração Ikea para se consolar, após ser rejeitado por sua mãe e companheiros de grupo em um zoológico do Japão.
O sagui colombiano foi "encontrado por um agricultor" que, ao ver que "os pais do macaco não estavam por perto nem nenhum outro primata", o levou às autoridades, conta à agência AFP Juan Pablo Giraldo, biólogo da autoridade ambiental local (Cornare).
Dar pelúcias aos bebês órfãos é comum para suprir a figura dos pais, que os carregam e alimentam, e para evitar que sintam "medo, frustração e ansiedade", acrescenta.
Punch viralizou na internet e despertou a ternura de milhares de pessoas sob a hashtag #HangInTherePunch (aguenta, Punch).
Mas, apesar da semelhança, Giraldo afirma que os casos do sagui-de-pés-brancos e do macaco viral são muito diferentes.
"Abraçar uma pelúcia é algo muito fofo e pode se assemelhar ao caso de Punch, mas Punch está em um zoológico, onde vai permanecer ao longo de sua vida", diz o biólogo.
"Nosso sagui está em um processo de reabilitação no qual vai ter muito pouco contato com humanos", para "que possa retornar com sucesso ao meio selvagem", completa.
Acostumar-se a humanos seria "fatal" para o sagui, ele diz, já que não poderia se alimentar sozinho nem ser solto.
Os sagui-de-pés-brancos, que medem aproximadamente 60 centímetros entre corpo e cauda e parecem brilhar ao sol por sua pelagem prateada, estão ameaçados na Colômbia pelo tráfico ilegal.
O filhote passará agora por uma quarentena de 90 dias para realizar exames médicos. Depois será aproximado de um casal de saguis, também em processo de reabilitação, como pais adotivos antes de voltar à natureza.
Fonte: Folha de S. Paulo
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