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Fundo Clima gasta até 3 vezes mais para reduzir emissões do que mecanismos internacionais

17/03/2026

O Fundo Clima (Fundo Nacional sobre Mudança do Clima), voltado para projetos de enfrentamento às mudanças climáticas, gasta até três vezes mais para reduzir emissões de gases de efeito estufa do que plataformas internacionais semelhantes.
Considerando os valores de financiamento direto e os impulsionados pelo fundo (chamados de cofinanciamento, vindos de outras fontes), em 2024 foram aprovados R$ 33,2 bilhões em investimentos, que devem evitar a emissão ou remover 86,6 milhões de toneladas de CO2e (gases de efeito estufa) ao longo de toda a vida útil dos projetos. Isso equivale a um custo de cerca de R$ 383 por tonelada.
Os valores se referem à parcela de recursos reembolsáveis (empréstimos), que são geridos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e estão disponíveis no relatório de execução do fundo.
Já dois dos mais renomados fundos climáticos multilaterais têm valores bem mais baixos de investimento por quantidade de emissões evitadas, de acordo com análise feita pela Folha.
Segundo os dados mais recentes disponíveis, o portfólio do Fundo Verde para o Clima (GCF) é de US$ 78,7 bilhões, considerando tanto o financiamento direto quanto o cofinanciamento. É esperado que isso evite 3,3 bilhões de toneladas de CO2e —correspondendo a US$ 23,84 por tonelada, ou aproximadamente R$ 126 na cotação atual, um terço do valor do Fundo Clima.
Da mesma forma, o portfólio total dos Fundos de Investimento Climático (CIF) é de US$ 80,8 bilhões, que devem evitar a emissão de 1,82 bilhões de toneladas de CO2e. Assim, o valor por tonelada é de US$ 43,67, ou R$ 231, cerca de 40% a menos do que o fundo gerido pelo BNDES.
Procurado para comentar a diferença, o BNDES respondeu, em nota, que é considerado a instituição mais transparente da República pelo Tribunal de Contas da União e que está entre os fundos climáticos "mais eficientes do mundo".
O volume de recursos das plataformas internacionais (a soma de financiamento e cofinanciamento) é muito superior ao do fundo brasileiro porque o escopo é diferente. Além de GCF e CIF receberem aportes do mundo todo, os números usados na análise representam todos empréstimos feitos desde o início da operação dos fundos.
O BNDES, no entanto, só divulga os números de financiamento e cofinanciamento do Fundo Clima a partir de 2024, ressaltando que os valores aprovados deram um salto naquele ano. Os dados de cofinanciamento para 2025 ainda não foram publicados.
Por email, o banco também enviou uma contagem própria do valor de investimento por emissões evitadas, mas considerando apenas o financiamento direto aprovado em 2025 —sem incluir o montante de cofinanciamento e, portanto, impedindo a comparação com os outros fundos.
"Em 2025, o Fundo Clima aprovou R$ 12,549 bilhões em financiamento para mitigação e adaptação. Em 2025, as novas operações do Fundo Clima, de acordo com essa calculadora, geraram emissões evitadas e/ou sequestradas anuais de 7,5 milhões de tCO2, o que é equivalente a sete meses sem carros no estado de São Paulo. O custo em dólar para cada tonelada de CO2 equivalente evitado/sequestrado foi de US$ 299 [R$ 1.593 na cotação atual]", disse.
"Provavelmente, a informação da Folha se baseia em metodologia diferente e desconhecida pelo BNDES", conclui a nota. O BNDES foi informado sobre a metodologia usada pela Folha.

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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