
12/03/2026
O ataque contra depósitos de petróleo lançou uma fumaça escura e densa sobre Teerã, a capital do Irã, no sábado (7). O resultado foi uma combinação de óxidos de enxofre e compostos de nitrogênio que, juntos com a umidade do ar, podem resultar em chuva ácida.
As autoridades e o Crescente Vermelho do Irã alertaram os moradores para permanecerem em casa. Moradores de Teerã relataram que, no domingo, a cidade amanheceu com o céu escuro e coberta de fuligem preta.
A chuva ácida se refere a qualquer precipitação com componentes ácidos, que cai no solo a partir da atmosfera em forma úmida ou seca. Isso pode incluir chuva, neve, neblina, granizo ou até mesmo poeira ácida.
Ao se misturarem com a água na atmosfera, os óxidos provenientes da queima de combustíveis fósseis, principalmente o dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio, podem formar ácidos, como os ácidos sulfúrico, nítrico e nitroso, que voltam ao solo sob a forma de chuva.
As partículas ácidas no ar podem causar irritação respiratória, especialmente em pessoas com asma ou bronquite, queimaduras químicas na pele ou danos mais graves nos pulmões.
A chuva ácida também contamina ecossistemas, destrói a cobertura vegetal, acidifica solos e águas de rios e lagos e ameaça a biodiversidade.
"A fumaça cobriu a cidade inteira. Eu estou com forte falta de ar e ardência nos olhos e na garganta, e muitos outros sentem o mesmo. É impossível ficar ao ar livre", afirma uma ativista iraniana.
Embora a chuva ácida possa ter uma origem natural, sobretudo vulcões, na maior parte das vezes ela tem como origem a queima de combustíveis fósseis para a geração de energia elétrica, por indústrias e por veículos.
Toda chuva é naturalmente ligeiramente ácida devido ao dióxido de carbono, às emissões naturais de óxidos de enxofre e de nitrogênio e a certos ácidos orgânicos. No entanto, as emissões provenientes da atividade humana podem torná-la muito mais ácida. As chuvas só se tornam problemas ambientais quando o pH delas é abaixo de 5.
O termo "chuva ácida" foi cunhado pelo cientista britânico Robert Angus Smith em 1852, ao observar o fenômeno no auge da industrialização da Inglaterra.
No caso do Irã, a Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora os riscos à saúde decorrentes da "liberação maciça" de hidrocarbonetos tóxicos, óxidos de enxofre e compostos de nitrogênio na atmosfera.
Segundo a agência, ataques pelo Irã à infraestrutura petrolífera do Bahrein e da Arábia Saudita reforçam a preocupação por uma exposição ainda maior da região à poluição, o que pode ter efeitos de longo prazo.
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