
12/03/2026
Cientistas e outros especialistas estavam preparando uma avaliação inédita sobre a saúde da natureza nos Estados Unidos quando o presidente Donald Trump retornou à Casa Branca.
Ele cancelou o relatório.
Os pesquisadores seguiram em frente e o compilaram por conta própria. Nesta semana, divulgaram um rascunho de 868 páginas para comentários públicos e revisão científica.
Muitas das conclusões preliminares são sombrias: ecossistemas de água doce em todo o país estão em crise, "superexplorados, poluídos, fragmentados e invadidos". Ecossistemas marinhos e terrestres estão degradados, com biodiversidade reduzida. Estima-se que 34% das espécies de plantas e 40% das espécies de animais estejam em risco de extinção.
As pressões humanas sobre a natureza estão corroendo os recursos essenciais que ela nos fornece, como água limpa, alimentos, saúde, meios de subsistência e proteção contra tempestades e incêndios. Mas há esperança, e os autores enfatizaram a capacidade de traçar um novo rumo.
"O futuro não está definido", disse Phillip Levin, que dirigiu a avaliação tanto sob o governo quanto depois. "Conservação, restauração e conexões renovadas entre pessoas e natureza podem melhorar a saúde dos ecossistemas e fortalecer a resiliência das comunidades."
O nome do relatório mudou de "Avaliação Nacional da Natureza" para "Registro da Natureza", para refletir que se trata de um novo esforço independente, mas ele se baseia em trabalhos que já estavam em andamento, e a maioria dos autores permanece a mesma. Sua revisão científica será conduzida pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina, a mesma organização que teria revisado o relatório caso ele permanecesse sob os auspícios do governo federal.
Os dois primeiros capítulos que resumirão o extenso trabalho ainda não foram escritos, porque os autores estão aguardando esta rodada de comentários. Mas outros 13 capítulos já estão prontos.
O relatório explora não apenas ações que prejudicam a natureza, mas também como as pessoas são afetadas pela natureza e sua perda, com capítulos sobre saúde humana, economia e segurança nacional. E, ao longo de todo o documento, o trabalho destaca soluções e a capacidade da natureza de se recuperar quando tem oportunidade.
O esforço inicial começou de fato no Dia da Terra de 2022, quando o então presidente Joe Biden assinou um decreto solicitando uma avaliação da condição da natureza nos Estados Unidos. Em janeiro de 2025, com os autores a poucas semanas de entregar um primeiro rascunho completo, o governo Trump encerrou o projeto.
Mas Levin, que deixou seu cargo no governo com a mudança de administração, continuou o trabalho ao lado de cerca de 125 pesquisadores que não eram funcionários federais.
"A primeira coisa que tivemos que fazer foi conseguir financiamento", disse Levin.
Praticamente todos os autores já estavam trabalhando voluntariamente. Mas o grupo precisava recontratar funcionários administrativos, garantir suporte técnico e pagar pela revisão das Academias Nacionais. O grupo arrecadou mais de US$ 3 milhões, principalmente de fundações, contou Levin.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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