UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Lado oculto da jaqueira: árvore invasora empobrece chão da Mata Atlântica e afeta sapos

10/03/2026

Espécies invasoras são uma das principais ameaças à biodiversidade no mundo. Ao se espalharem fora de sua área de origem, elas alteram habitats, reduzem a diversidade nativa e comprometem o funcionamento dos ecossistemas.
Na Mata Atlântica brasileira, uma dessas espécies é a jaqueira. Seus impactos sobre a vegetação já são conhecidos. No entanto, ainda sabemos pouco sobre o que acontece com os animais que vivem no chão da floresta, um dos ambientes mais sensíveis e importantes para a biodiversidade tropical.
Nosso grupo do Departamento de Ecologia, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, publicou recentemente um estudo no periódico Biological Invasion sobre uma pesquisa realizada na Reserva Biológica Duas Bocas, no Espírito Santo. Neste estudo, investigamos como a presença da jaqueira altera a estrutura do chão da floresta e como essas mudanças afetam diferentes espécies de sapos que vivem na serapilheira.
Os resultados mostram que a jaqueira simplifica o habitat, reduz recursos essenciais e desencadeia efeitos em cascata sobre a fauna. E nem todas as espécies respondem da mesma forma.
Áreas dominadas por jaqueiras apresentam uma camada de folhas mais rasa e menor abundância de artrópodes, como insetos e outros invertebrados. Esses organismos são fundamentais para o funcionamento do ecossistema. Eles também servem de alimento para muitos pequenos vertebrados.
Quando a serapilheira diminui, o ambiente fica mais simples. Micro-hábitats desaparecem. A retenção de umidade cai. As condições se tornam menos estáveis para espécies sensíveis.

Ou seja, mesmo quando a floresta parece verde por cima, o que acontece no chão conta outra história.

Analisamos três espécies de sapos com diferentes exigências ecológicas. As respostas foram distintas.
Uma espécie mais generalista, conhecida pelo nome científico de Rhinella crucifer, popularmente chamada de sapo-cururuzinho, e tolerante a ambientes alterados, foi registrada com maior frequência em áreas invadidas.
Já a espécie Haddadus binotatus, conhecida como rãzinha-do-folhiço, é mais dependente de micro-hábitats úmidos e estáveis, e apresentou queda acentuada onde a densidade de jaqueiras era maior.
A terceira espécie foi a Proceratophrys schirchi, conhecida como sapo-de-chifres. Observamos que ela não foi afetada diretamente pela presença da árvore. No entanto, sua ocorrência estava associada à profundidade da serapilheira e à diversidade de artrópodes. Como esses dois fatores diminuem em áreas invadidas, a espécie acaba sendo afetada indiretamente.

Termine de ler esta reportagem clicando no g1

Novidades

Baía de Guanabara mais limpa: rede de esgoto começa a chegar ao Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio

10/03/2026

O cenário do Complexo da Maré — formado por 16 favelas — está em transformação, com um vaivém de ope...

Justiça condena três réus por contrabando de 18 girafas no Rio

10/03/2026

A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou três réus no caso da importação de 18 girafas da África...

Lado oculto da jaqueira: árvore invasora empobrece chão da Mata Atlântica e afeta sapos

10/03/2026

Espécies invasoras são uma das principais ameaças à biodiversidade no mundo. Ao se espalharem fora d...

Maior cafezal urbano do mundo, Instituto Biológico recebe novos pés para testar mudanças climáticas

10/03/2026

A maior plantação urbana de café do mundo, localizada na cidade de São Paulo, recebeu esta semana ce...

Nova espécie de perereca é descoberta em cidade de Minas Gerais

10/03/2026

Uma nova espécie de perereca descoberta no cerrado do noroeste de Minas Gerais reforça o que a ciênc...