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Maior cafezal urbano do mundo, Instituto Biológico recebe novos pés para testar mudanças climáticas

10/03/2026

A maior plantação urbana de café do mundo, localizada na cidade de São Paulo, recebeu esta semana cerca de 1.500 novas mudas de café, enquanto os pesquisadores se preparam para estudar sua capacidade de resistir às mudanças climáticas e às pragas.
O Instituto Biológico de São Paulo foi fundado em 1927 com a missão de enfrentar uma crise causada por pragas como a broca do café, que devora os grãos escondidos nas cerejas do fruto.
O Brasil é o maior produtor mundial de café arábica, bem como o segundo maior produtor de cafés canéfora, que incluem variedades como robusta e conilon.
A plantação no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, que já contava com mais de 2.000 pés de café, recebeu nesta semana variedades de arábica consideradas resistentes a pragas e à ferrugem do café, um tipo de fungo, além de outras plantas mais tolerantes a condições de seca.
"O Instituto Biológico foi criado para controlar a broca, que foi controlada usando parasitóides, um método de controle biológico", disse a pesquisadora do instituto e engenheira agrícola Harumi Hojo à Reuters na quinta-feira.
Em sua mão, Hojo segurava duas cerejas de café, mostrando a diferença entre uma fruta saudável e outra podre por dentro depois de ser devorada pela broca.
Com o passar dos anos, o instituto começou a investigar outros fatores que afetam as plantas de café, como solo e clima, e agora sua gama de variedades cultivadas lado a lado sob as mesmas condições mostra como diferentes plantas lidam com pragas, doenças e pressões climáticas, disse Hojo.
As plantas de café arábica também são sensíveis ao clima mais quente e seco causado pela mudança climática, e 300 das novas mudas são tolerantes ao déficit de água.
Agora, a pesquisa produziu variedades de café resistentes a secas, disse Hojo, acrescentando que, no futuro, seria valioso ter plantas que demandem menos irrigação, que possam ser irrigadas com água captada da chuva, em vez de fontes de água subterrânea que podem ser escassas.
"Sabemos que as mudanças climáticas e a disponibilidade de água serão problemas para o nosso futuro", disse Hojo.

Fonte: Folha de S. Paulo

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