
03/03/2026
Uma plantação de soja no Centro-Oeste pode depender de uma árvore que está a milhares de quilômetros dali, no meio da Amazônia. Assim como toda a agropecuária do país, que representa 6,5% do PIB nacional. Essa conexão é invisível, mas mensurável e agora também tem preço: mais de R$ 100 bilhões por ano.
Um estudo internacional com participação de pesquisadores brasileiros estimou quanto vale, para a sociedade e para a economia, a chuva produzida pela floresta amazônica que está de pé. A conta considera apenas a Amazônia Legal brasileira e, com isso, o valor chega a US$ 19,6 bilhões por ano.
A pesquisa foi publicada na revista científica "Communications Earth & Environment" neste mês e traz um alerta importante: a floresta de pé é importante para o meio ambiente, mas também para a economia.
Isso impacta a commoditie que move a economia, a comida chega ao seu prato, o algodão que está na sua roupa e muito mais.
A pesquisa é a evidência mais abrangente e robusta até agora sobre o valor econômico dos serviços ecossistêmicos prestados pela floresta para a humanidade.
A gente sabe o quanto o agronegócio é importante para a economia, mas agora conseguimos mostrar o quanto ter a floresta em pé é importante para esse setor econômico. E isso é o que sabemos agora, imagina o quanto ela já não colaborou e o quanto isso ainda vai somar à economia nacional no futuro?
— Jose Augusto Veiga, um dos autores do estudo e professor na Universidade Estadual do Amazonas.
Para chegar ao valor bilionário, os cientistas combinaram observações de satélite com simulações de modelos climáticos de última geração. A partir daí, calcularam quanto a chuva gerada pela floresta representa em dinheiro.
Nas florestas tropicais em geral, cada metro quadrado de vegetação em pé contribui para cerca de 240 litros de chuva por ano. No caso da Amazônia brasileira, o número sobe para aproximadamente 300 litros por metro quadrado ao ano.
Para você ter uma ideia do que esse volume significa, culturas agrícolas estratégicas para a economia nacional precisam de até o dobro disso para serem mantidas. Veja:
🌽 Algodão: 607 litros por metro quadrado por ano
🌽 Soja: 425 litros por metro quadrado por ano
🌽 Milho: 501 litros por metro quadrado por ano
🌽 Trigo: 285 litros por metro quadrado por ano
No caso do algodão, por exemplo, um metro quadrado da cultura exige praticamente a água que dois metros quadrados de floresta amazônica intacta ajudam a gerar.
💸 Os pesquisadores cruzaram esses volumes com o custo médio da água no setor agrícola brasileiro — cerca de US$ 0,0198 por metro cúbico. O resultado: cada hectare de floresta intacta gera aproximadamente US$ 59,40 por ano em provisão de água.
Multiplicado pelos cerca de 330 milhões de hectares da Amazônia Legal, o valor alcança US$ 19,6 bilhões anuais.
Em um país onde a agropecuária responde por cerca de 6,5% do PIB — e onde aproximadamente 85% da produção depende diretamente das chuvas — a estabilidade do regime hídrico não é apenas uma questão ambiental, mas econômica.
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