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Resíduos agrícolas viram isopor orgânico

26/02/2026

Mais uma vez, a criatividade e a tecnologia transformam o que era um problema em uma solução. Resíduos agrícolas se tornaram matéria-prima para que a britânica Carbon Cell criasse uma alternativa compostável e com emissão negativa de carbono ao embalagens de poliestireno, popularmente conhecido como isopor.
Em fase final de produção, o produto criado pela empresa Cell é uma espuma rígida leve, protetora e isolante, totalmente livre de plástico. O material pode ser usado para substituir o isopor em embalagens e também em camadas de isolamento térmico e acústico na construção civil e em outros produtos, como geladeiras.
Com uma aparência quase idêntica à do poliestireno expandido, mas numa cor preta intensa, a espuma foi feita de biochar – os restos escurecidos da biomassa de resíduos agrícolas aquecidos por pirólise.
Além de ser um material natural renovável, ao contrário dos combustíveis fósseis que formam a base do isopor e de outros materiais plásticos, o biochar sequestra uma boa quantidade de carbono na sua produção e depois do Carbon Cell ser devolvido à terra.
Para cada quilograma de espuma Carbon Cell produzido, a empresa estima que quase um quilograma de dióxido de carbono seja removido da atmosfera. Sai o isopor, uma produto altamente poluente e com uma reciclabilidade muito complexa, e entra uma espuma que ajuda a restaurar o meio ambiente.
A espuma Carbon Cell foi inventada pela cientista Elizabeth Lee, pela engenheira Eden Harrison e pelo designer Ori Blich enquanto estudavam no Imperial College de Londres e no Royal College of Art, no Reino Unido.
Lá, eles ficaram intrigados com as propriedades técnicas do biochar, incluindo o fato de ser leve, poroso, isolante, resistente e ainda absorver umidade – assim como o isopor, ou poliestireno expandido.
Para chegar a um estado semelhante, eles seguiram um processo de produção comparável, primeiro misturando o biochar com polímeros de base biológica para fazer pequenos grânulos duros e, em seguida, aquecendo-os para que se expandissem como pipoca em uma estrutura celular de espuma.
Isso é feito utilizando o equipamento de expansão que já era usado para produzir isopor – a espuma pode ser moldada de forma semelhante em vários formatos.
Ao final de sua vida útil, o polímero natural presente no Carbon Cell se degrada em condições de compostagem doméstica, restando apenas o biochar, que mantém o carbono armazenado por gerações, ao mesmo tempo que enriquece o solo.
A Carbon Cell planeja iniciar a produção de produtos para seus primeiros projetos-piloto e espera aumentar rapidamente a escala para reduzir a demanda de poliestireno no mercado.
O isopor é um tipo de plástico muito usado por ser extremamente leve, ser um bom isolante térmico e acústico e ainda proteger os mais variados produtos durante o transporte. Embora esse tipo de plástico seja muito útil ele é um problema ambiental já que raramente é reciclado.
“Nosso maior mercado-alvo é o de isolamento para construção civil – embora leve tempo para atingirmos a escala e a certificação necessárias para entrar nesse mercado com um produto viável”, disse Lee, que agora é CEO da Carbon Cell.
“Em nosso caminho para alcançar esse objetivo, também estamos preparando variações para uso em painéis acústicos, design de interiores, embalagens térmicas, compósitos automotivos, vasos de plantas e até mesmo nas indústrias de cinema, TV e teatro, onde muita espuma é usada para o desenvolvimento de cenários e adereços”, completa a empreendedora.

Fonte: CicloVivo

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