
24/02/2026
Uma tartaruga-cabeçuda 🐢 monitorada desde a década de 1980 voltou a desovar na praia de Povoação, em Linhares, no Norte do Espírito Santo, e entrou para a história da conservação marinha no Brasil como a tartaruga mais velha a desovar no litoral brasileiro.
Marcada com uma numeração pela primeira vez em 1988, a fêmea foi reencontrada no último dia 2 de dezembro de 2025, após 37 anos de registros. Segundo especialistas, esse é o acompanhamento mais longo já documentado no país para uma tartaruga marinha em atividade reprodutiva.
Durante toda a vida, as tartarugas sempre retornam, a cada ciclo reprodutivo, ao mesmo local de nascimento para desovar. No caso desse animal em específico, há quase 40 anos, ela volta para as areias da cidade capixaba, local onde nasceu.
A Fundação Projeto Tamar monitora a região e marcou a tartaruga com uma anilha na década de 1980. Segundo o biólogo Alexsandro Santos, pesquisador da instituição e coordenador de pesquisa e conservação no Espírito Santo, a longevidade impressiona até mesmo quem trabalha há décadas com a espécie.
“Essa é a tartaruga mais antiga que a gente tem registro desovando no Brasil. Ela foi vista pela primeira vez em 1988 e, de lá pra cá, reencontrada outras sete vezes. A oitava foi agora. E isso não significa que ela só tenha vindo essas oito vezes. Ela pode ter vindo e a gente não encontrou”, explicou.
Pela estimativa dos pesquisadores, a fêmea já pode ter mais de 60 anos de idade. As tartarugas-cabeçudas começam a se reproduzir, em média, aos 25 anos. Como ela está sendo registrada há 37 anos, a conta sugere que esteja "mais para o final do período reprodutivo".
“Ela já está desovando com as filhas, com certeza, e provavelmente com as netas também. É uma sobrevivente”, afirmou o biólogo.
As imagens registradas durante a desova têm tonalidade avermelhada porque, a partir do momento em que a tartaruga é avistada, os pesquisadores passam a usar apenas luzes vermelhas. Esse tipo de iluminação é o mais indicado para não estressar nem desorientar o animal, já que interfere menos no comportamento desses animais.
Ao longo dessas quase quatro décadas, a tartaruga foi recapturada sempre na mesma região, o que reforça a fidelidade ao local de desova, um comportamento típico da espécie.
Para Alexsandro, o reencontro é também um símbolo da importância do monitoramento contínuo.
“Esse é o registro mais longo que a gente tem no Brasil de recapturas. Isso reforça como o trabalho de marcação e recaptura ao longo de décadas é fundamental para entender a longevidade reprodutiva, estimar sobrevivência e conhecer melhor o ciclo de vida desses animais”, explicou o biólogo.
A espécie, conhecida cientificamente como Caretta caretta, pode atingir até 1,23 metro de comprimento de casco e pesar entre 150 e 200 quilos.
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