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Agricultor transforma área de pastagem e terreno degradado por enxurrada em símbolo de preservação no ES

21/01/2025

Aos pés da Pedra do Caeté, no interior de Jerônimo Monteiro, no Sul do Espírito Santo, um cenário de pastagem degradada deu lugar a um refúgio verde. Árvores nativas, frutas e nascentes agora brotam onde antes havia apenas terra árida. Muitos animais voltaram. O responsável por essa transformação é José Luís Vargas Araújo, conhecido como Seu Zé, um agricultor que, há 18 anos, decidiu transformar o terreno herdado de seu avô em um símbolo de preservação ambiental.
Seu Zé contou que tem gosto por plantar desde a infância, mas o trabalho de reflorestamento começou em 2007, após o terreno ser herdado do avô da família. Antes, as terras eram usadas para pecuária. Ou seja, muita área de pastagem e pouca vegetação nativa. Quando se tornou proprietário, o produtor resolveu vender os bois.

"A gente queria comer uma fruta, um coco, um ingá, mas não tinha. Só tinha pastagem. Aí veio a necessidade de fazer algo para mudar isso”, lembrou Seu Zé.

Já no ano seguinte, em 2008, Seu Zé e sua família enfrentaram um desafio. Uma cabeça d’água devastou o terreno. A água da enxurrada passou danificando o terreno e deixando as terras cobertas de pedras. Porém, o que poderia gerar desespero para a família acabou dando ainda mais força à ideia de revitalizar a propriedade.

"Foi necessário recuperar, não só corrigindo as cabeceiras, com áreas de mata, mas também protegendo as nascentes", lembrou Seu Zé.

Seu Zé, no entanto, não estava sozinho. Mesmo antes de começar a plantar, ele reuniu os irmãos e compartilhou o desejo de transformar as terras da família em um símbolo de cuidado e respeito com a natureza.
Desde então, Seu Zé e sua família uniram esforços para reflorestar a área. O espaço, que antes era usado como pasto para gado, ganhou vida com árvores. Hoje, a propriedade é um exemplo de recuperação ambiental e inspiração para quem visita o local.


A diferença entre o passado e o presente é percebida na temperatura. Segundo o produtor, quem vem da cidade sente a diferença do calor nas zonas urbanas em comparação com o clima mais fresco da propriedade.

“É um paraíso. Pessoas que vêm aqui dizem que parece outro lugar. Não acreditam que Jerônimo Monteiro tem um espaço assim”, conta Seu Zé.

Ele disse ainda que nem é necessário ir muito longe para notar essa diferença. Do outro lado da cerca, o terreno do vizinho ainda é usado para pastagem e cultivo de café. Por isso, também é mais quente. Do outro lado, a área reflorestada oferece sombra, ar fresco e um microclima mais agradável.
E o legado de José Luís já está sendo transmitido para as próximas gerações da família. Os sobrinhos pequenos já são ensinados a plantar desde cedo.
"Se eles acham uma sementinha de árvore, já falam com o pai que vão levar para o tio plantar. Todos na mesma sintonia, sabendo que o caminho certo é esse", afirmou Seu Zé.

Fonte: g1

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