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Bode pode ser ´vilão´ da desertificação ou fonte de renda sustentável na caatinga

22/08/2019

É preciso muito cuidado antes de mexer com o bode dos outros no sertão nordestino: qualquer mal entendido pode dar confusão. Os caprinos e ovinos são, ali, um investimento sem igual. O bode é criado solto. Durante o dia, come à vontade das plantas da caatinga e, de noite, volta "de bucho cheio" para o chiqueiro. Quando um bode se perde, vizinhos cuidam do animal até que o dono seja localizado. De carne magra e rica em nutrientes, um bode alimenta muita gente. E a cabra dá bom leite.
A "cultura do bode" é parte da essência do sertanejo. Mas cresce a consciência de que os caprinos e ovinos devem ser aliados à preservação da caatinga, e não vilões da desertificação. Como são devoradores de plantas, superpopulações de animais não deixam a vegetação se regenerar. Com a elevação das temperaturas e chuvas mal distribuídas ao longo do ano, a degradação do solo pode ser irreversível.
A desertificação é causada principalmente por eventos climáticos e pela ação humana.
Observamos, também, como a população local é afeiçoada ao bode. Por isso, muitos têm buscado técnicas para que essa importante fonte de renda e alimento seja mais sustentável.
De acordo com Iêdo Bezerra Sá, pesquisador da Embrapa Semiárido, o risco da desertificação causada por atividades agropecuárias é real na região Nordeste.
"O semiárido brasileiro tem solos predominantemente frágeis. E o solo é o substrato onde se faz a agricultura, a pecuária. Os solos se degradam com muita facilidade, principalmente quando estão descobertos, desmatados, ´o solo nu´, como dizemos na linguagem técnica", explica Bezerra Sá.
O Brasil produz, em média, 30,6 milhões de toneladas de carne de bode por ano e 78,8 milhões de toneladas de carne de ovelha, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Mas ainda estamos longe dos maiores produtores mundiais dessas carnes, que, para o bode, são China, Índia e Paquistão, e, para as ovelhas, são China, Austrália e Nova Zelândia.
De qualquer forma, o rebanho de caprinos (bodes, cabras e cabritos) vem crescendo no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rebanho aumentou mais de 16% entre 2006 e 2017, totalizando 8,25 milhões de animais. A maior parte está justamente na região Nordeste: 7,66 milhões de cabeças. E são quase 334 mil estabelecimentos voltados à caprinocultura no país.
Já os ovinos (carneiros, ovelhas e cordeiros) totalizam 13,77 milhões de animais. Novamente, o Nordeste é a região com maior número de animais: 9,03 milhões de cabeças. O rebanho de ovinos teve uma pequena redução entre 2006 e 2017, de 2,8%, em todo o país.

Leia a matéria na íntegra no G1

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