
10/09/2026
Cientistas japoneses descobriram uma bactéria natural presente no intestino de uma rã arborícola (Ewingella americana) com atividade anticancerígena notavelmente potente. Liderada pelo professor Eijiro Miyako, a equipe do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia do Japão observou que uma única aplicação intravenosa da bactéria eliminou tumores em 100% dos camundongos avaliados. As bactérias intestinais não apenas mataram as células cancerígenas, como também ativaram o sistema imunológico dos animais, levando a uma “destruição completa do tumor”.
A equipe relatou e publicou suas descobertas na revista científica Gut Microbes. Embora a relação entre a microbiota intestinal e o câncer tenha atraído considerável atenção nos últimos anos, a maioria das abordagens têm se concentrado em métodos indiretos. Em contraste, o estudo adotou uma estratégia diferente: isolar, cultivar e administrar diretamente cepas bacterianas individuais por via intravenosa para efetuar os ataques.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores isolaram um total de 45 cepas bacterianas dos intestinos de rãs-arborícolas japonesas, tritões-de-barriga-de-fogo (Cynops pyrrhogaster) e lagartos-da-grama (Takydromus tachydromoides). Por meio de uma triagem sistemática, nove cepas demonstraram efeitos antitumorais, sendo a E. americana a que apresentou a eficácia terapêutica mais excepcional.
Em camundongos com câncer colorretal, uma única administração intravenosa da bactéria alcançou a eliminação completa do tumor, com uma taxa de resposta de 100%, superando drasticamente a eficácia das terapias padrão atuais, incluindo inibidores de checkpoint imunológico (anticorpo anti-PD-L1) e doxorrubicina lipossomal (agentes quimioterápicos). “Essas descobertas sugerem que os microbiomas intestinais de vertebrados inferiores abrigam inúmeras espécies bacterianas não caracterizadas com excepcional potencial terapêutico”, disseram os autores. “Nosso estudo destaca a importância crucial da biodiversidade microbiana no avanço das estratégias de tratamento do câncer.”
De acordo com um comunicado de imprensa, onde é possível ler mais sobre como a estratégia funciona, a abordagem terapêutica também apresentou um excelente perfil de segurança. A E. americana foi rapidamente eliminada da corrente sanguínea, com meia-vida de aproximadamente 1,2 hora e sendo completamente indetectável em 24 horas. Não houve colonização bacteriana em órgãos normais, incluindo fígado, baço, pulmão, rim e coração, e foram observadas apenas respostas inflamatórias leves e transitórias, que se normalizaram em 72 horas. Também não foi identificada toxicidade crônica durante o período de observação prolongada de 60 dias.
As futuras pesquisas e o desenvolvimento da estratégia serão ampliados para outros tipos de câncer, avaliando sua eficácia no câncer de mama, câncer de pâncreas, melanoma e outras neoplasias. A equipe também se concentrará no desenvolvimento de abordagens de administração mais seguras e eficazes, incluindo o fracionamento da dose e a injeção intratumoral. Além disso, os pesquisadores planejam investigar possíveis efeitos sinérgicos com a imunoterapia e a quimioterapia existentes.
Fonte: CicloVivo
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