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Ação humana fez disparar a frequência de inundações extremas nas costas do mundo, aponta estudo

11/06/2026

Episódios extremos de elevação do mar, capazes de inundar regiões costeiras, ficaram quatro vezes mais frequentes desde 1900 por causa da ação humana.
A conclusão é de um estudo publicado nesta quarta-feira (10) na revista científica "Nature Climate Change".
Quando todos os fatores são somados — incluindo causas naturais e o afundamento do solo em algumas regiões —, o resultado é ainda mais expressivo: episódios de maré extremamente alta que, no início do século 20, eram esperados apenas uma vez a cada 100 anos hoje acontecem, em média, uma vez a cada 8 anos. Isso representa um salto de 12 vezes na frequência.
"Em quase metade dos 130 locais analisados no estudo, uma inundação esperada uma vez a cada 100 anos em 1900 agora ocorre pelo menos uma vez por década", afirmou o autor principal da pesquisa, Sönke Dangendorf, professor da Universidade Tulane, nos Estados Unidos.
Os chamados eventos extremos do nível do mar acontecem quando marés altas, ressacas provocadas por tempestades e o nível médio do oceano — que vem subindo — se combinam.
O resultado são inundações que danificam casas, estradas e ecossistemas costeiros.
Segundo estimativas, mais de 680 milhões de pessoas vivem em regiões litorâneas baixas no mundo, onde pequenas variações no nível do mar podem mudar bastante o risco de alagamento.
"À medida que o nível do mar sobe, tempestades menores podem produzir inundações que antes exigiam condições mais severas", explicou Dangendorf.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores combinaram registros de marégrafos — instrumentos que medem o nível do mar — com simulações climáticas para separar a influência das atividades humanas, de fatores naturais e dos movimentos do próprio solo.
A análise reuniu dados de 130 marégrafos espalhados pelo mundo, embora a maior parte das estações esteja concentrada na América do Norte e na Europa.
Para reduzir esse desequilíbrio, os autores aplicaram um método estatístico que sorteou 5 mil combinações de estações de diferentes regiões.
A análise mostrou que, sozinho, o aquecimento causado pelo ser humano tornou esses eventos raros cerca de quatro vezes mais prováveis.
As causas naturais também contribuíram, mas perderam força ao longo do tempo: tiveram maior peso na primeira metade do século 20, enquanto a influência humana passou a predominar a partir da década de 1960.

A matéria completa pode ser lida no g1

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