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Agroecologia e Reforma Agrária ganham IA brasileira

26/05/2026

Uma nova ferramenta tecnológica pode contribuir para transformar a produção no campo brasileiro ao articular a vanguarda da computação com os saberes históricos dos movimentos populares. Trata-se da IARAA, uma inteligência artificial desenvolvida pela Associação Internacional para Cooperação Popular (Baobá), em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Marcha Mundial das Mulheres (MMM).
De acordo com o coordenador da Baobá para a América Latina, Luiz Zarref, a IARAA nasce da compreensão de que a inteligência artificial é uma criação coletiva da humanidade e deve estar a serviço de todos – e não restrita aos interesses das big techs norte-americanas, historicamente articuladas ao agronegócio.
Diferente das IAs generalistas controladas por grandes corporações, a IARAA foi desenvolvida integralmente por movimentos populares e busca enfrentar o avanço das big techs no campo e a dependência de ferramentas americanas.
A nova Inteligência Artificial funciona como uma plataforma de chat interativo que responde a perguntas sobre temas ligados à agroecologia. Seu grande diferencial reside na base de dados: a ferramenta não utiliza informações aleatórias da internet, mas sim uma base própria e validada coletivamente, composta por livros, artigos e documentos técnicos produzidos entre 1964 e 2026.
A plataforma oferece três modos de resposta adaptados às necessidades do usuário: a Semeadura, voltado para quem está diretamente no campo; Mutirão, focado em assistência técnica e trabalho em grupos; e Quintal Produtivo, direcionado para estudo e pesquisa acadêmica.
O núcleo da IARAA está sendo alimentado por uma base de conhecimentos robusta, composta por livros, cartilhas e documentos técnicos produzidos pelos movimentos populares, além de materiais de universidades, organizações não governamentais e instituições de pesquisa. A iniciativa também pretende firmar, futuramente, acordos para integração de dados de órgãos públicos, como a Embrapa.
A IARAA foi concebida para ir além de respostas genéricas. Por meio de engenharia de prompts (comandos), a ferramenta está sendo treinada para dialogar de forma específica com diferentes públicos, como famílias assentadas, técnicos agrícolas e dirigentes de cooperativas.
A IA contará com três eixos principais de entrada: o trabalho direto no campo (semeadura), as ações coletivas (mutirão) e a assistência técnica. Na prática, poderá auxiliar desde questões cotidianas — como o controle agroecológico de pragas ou a implantação de sistemas agroflorestais — até a elaboração de análises mais aprofundadas sobre o papel da agroecologia na formação da consciência de classe.
O investimento do MST na IARAA integra a estratégia da Reforma Agrária Popular, que coloca a agroecologia no centro da produção de alimentos saudáveis para as cidades. O principal desafio do momento é alcançar escala.
“Massificação é escala. Precisamos sair das experiências piloto e alcançar todas as cadeias produtivas e biomas do Brasil”, afirma Zarref.
Nesse sentido, a IARAA surge como uma ferramenta para enfrentar gargalos tecnológicos, sistematizando milhares de artigos, relatos de experiências e pesquisas produzidas ao longo dos anos pelo MST, especialmente no Iterra e no Instituto Educacional Josué de Castro (IEJC) — um volume de informações impossível de ser assimilado individualmente. A proposta é que a inteligência artificial funcione como suporte à assistência técnica, e não como sua substituição.
O desenvolvimento da IARAA encontra-se em fase de testes e definição de sua arquitetura tecnológica. O acesso inicial deverá ser gratuito, por meio de celulares e computadores, embora possa começar de forma restrita a cooperativas e associações, em função das limitações de infraestrutura tecnológica.
O objetivo estratégico é consolidar a IARAA como um instrumento de apoio à modernização e à expansão em escala da agroecologia brasileira.

Fonte: CicloVivo

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