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Paradisíaca ilha de Bali se afoga em lixo após fechamento de lixão

26/05/2026

Baldes repletos de flores adornam a barraca de Yuvita Anggi Prinanda, em Bali (Indonésia). Seu aroma, porém, não consegue mascarar o fedor do lixo que se acumula na ilha, famosa por suas belezas naturais.
"Como dona de um negócio, isso é um verdadeiro incômodo", disse a vendedora ambulante, que precisou pagar uma empresa privada que retire o lixo dos arredores de sua barraca. "Alguns clientes, talvez incomodados pelo cheiro, acabam não comprando nada".
Só a barraca dela gera por dia cerca de quatro sacos pretos grandes cheios de resíduos, em sua maioria folhas e restos de flores. Isso se soma às 3.400 toneladas de lixo que se calcula que a ilha produz diariamente.
O governo indonésio proibiu a entrada de mais resíduos no maior lixão de Bali no início de abril. Em teoria, o país proibiu os lixões a céu aberto desde 2013, mas só agora está tentando aplicar plenamente a medida.
Sem alternativas imediatas, o lixo se amontoa nas ruas e atrai ratos, ou é queimado por moradores frustrados, o que também provoca uma fumaça acre que aumenta as preocupações sanitárias.
Cerca de 7 milhões de turistas visitaram Bali no ano passado, que tem uma população nativa de 4,4 milhões.
Na praia de Kuta, um popular destino turístico que é regularmente inundado por resíduos plásticos que chegam à costa, os sacos de lixo se amontoam até a altura da cintura em um estacionamento.
"À noite há muitos ratos aqui. O cheiro não é muito agradável", afirmou o visitante australiano Justin Butcher.
As pessoas que forem flagradas jogando ou queimando lixo enfrentam até três meses de prisão e uma multa de 50 milhões de rupias (quase R$ 15 mil), segundo Dewa Nyoman Rai Dharmadi, chefe da agência de ordem pública da ilha.
Mas muitas pessoas sentem que não têm outra opção. Em 16 de abril, centenas de trabalhadores de saneamento conduziram caminhões cheios de lixo até o escritório do governador em sinal de protesto.
"Se não recolhemos o lixo de nossos clientes, fazemos mal; se recolhemos, onde jogamos?", questionou o manifestante Wayan Tedi Brahmanca.
Em resposta, o governo local disse que permitiria o despejo limitado de resíduos no lixão Suwung como medida temporária até o final de julho. Mas a partir de agosto, todos os lixões devem ser fechados, embora não esteja claro quais alternativas serão oferecidas até lá.

Termine de ler esta reportagem na Folha de São Paulo

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