
19/05/2026
A América Latina e o Caribe estão esquentando no ritmo mais acelerado desde o início das medições, em 1900.
É isso o que mostra o relatório anual "Estado do Clima na América Latina e no Caribe", divulgado nesta segunda-feira (18) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU.
O documento foi lançado em Brasília, no auditório Olacyr de Moraes, no Ministério da Agricultura e Pecuária.
Para chegar a esse diagnóstico, a OMM dividiu os últimos 125 anos em quatro recortes de 30 anos e calculou em cada um deles a velocidade do aumento das temperaturas.
O período mais recente, de 1991 a 2025, é disparado o mais quente.
Na América do Sul, as temperaturas sobem 0,26°C por década, e na América Central e no Caribe, 0,25°C. O México lidera o ranking, com 0,34°C por década — mais do que o triplo do ritmo observado entre 1961 e 1990.
A temperatura média da superfície na região em 2025 ficou entre a quinta e a oitava mais alta já registrada.
O autor principal do relatório é o climatologista brasileiro José Marengo, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
"Os sinais de um clima em transformação são inequívocos em toda a América Latina e o Caribe", afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, em comunicado.
Ela citou desde a perda acelerada de geleiras e a elevação do nível do mar até a intensificação rápida dos ciclones tropicais, o calor extremo, as enchentes e as secas.
Em 2025, ondas de calor com temperaturas acima de 40°C atingiram grandes áreas das Américas do Norte, Central e do Sul.
Mexicali, no México, marcou 52,7°C, um novo recorde nacional. No Paraguai, Mariscal Estigarribia registrou 44,8°C, e o Rio de Janeiro chegou a 44°C.
O calor extremo, segundo a OMM, vem se tornando um problema crescente de saúde pública. A estimativa da agência aponta cerca de 13 mil mortes por ano associadas ao calor, em uma média de 17 países entre 2012 e 2021.
Mas o próprio relatório admite que o número está subestimado, porque a maioria dos países não publica de forma sistemática dados sobre mortes em que o calor foi a causa direta.
A OMM pede que esse tipo de informação passe a ser produzida com regularidade e integrada aos sistemas de alerta meteorológico.
O comportamento das chuvas mudou de forma desigual no continente, ainda segundo o relatório. Na média das últimas cinco décadas, os períodos secos ficaram mais longos e os episódios de chuva, mais intensos.
No Brasil, o cenário é dividido. O Sul vem registrando aumento na chuva anual e enchentes mais frequentes, num padrão que se estende pelo Uruguai e pelo norte da Argentina.
Já o Nordeste aparece entre as áreas que estão ficando mais secas no continente, ao lado do Chile central e de partes da América Central.
Na Amazônia, o quadro é misto. As estações secas estão mais longas, mas, quando chove, chove com mais força. As secas também ficaram mais frequentes no sul e no leste da floresta.
O ano de 2025 trouxe episódios graves em outros pontos da região. Mais de 110 mil pessoas foram atingidas por enchentes no Peru e no Equador em março. No México, chuvas em outubro deixaram 83 mortos.
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