
19/05/2026
Em 2019, a megacidade chinesa de Xangai deu início a uma estratégia rigorosa para reduzir a geração de resíduos sólidos. Na época, cerca de 26 mil toneladas métricas de lixo eram produzidas diariamente. Seis anos depois, o cenário mudou de forma significativa graças a investimentos intensivos, campanhas de conscientização e criação de novos hábitos entre a população. Desde a implementação do plano, a taxa de reciclagem doméstica cresceu 10%, e entre 35% e 45% de todos os resíduos passaram a ser destinados corretamente para instalações de coleta adequadas. Embora o índice ainda esteja abaixo de alguns exemplos europeus, como o da Romênia, o desafio enfrentado por Xangai é proporcional ao tamanho da cidade, que abriga cerca de 25 milhões de habitantes, população equivalente a 11 vezes a de Bucareste.
Os avanços mais expressivos, no entanto, ocorreram na área industrial. O volume de resíduos sólidos nesse segmento foi reduzido em 98%, resultado considerado um marco de eficiência na gestão de lixo urbano. Na linha de frente dessa transformação está a CSMET, empresa localizada no distrito de Jinshan. A companhia utiliza sobras de alumínio geradas pelo setor industrial junto a resíduos domésticos do mesmo material para fabricar novos produtos de alumínio. “Praticamos o conceito de ‘entrada de resíduos sólidos, saída de recursos’, transformando alumínio descartado em novos recursos”, disse Chen Nan, vice-presidente da empresa. Segundo ele, a CSMET utiliza anualmente 130 mil toneladas de sucata de alumínio e materiais reciclados, evitando a emissão de 36 milhões de toneladas de CO2 e equivalentes.
A localização da empresa, fora do centro urbano, também favorece a logística de coleta em uma cidade que possui mais de três vezes a área de Houston, no Texas. Para lidar com a complexidade do transporte de resíduos, as autoridades locais passaram a apostar em pequenas operações regionais distribuídas pela cidade. No distrito de Hongkou, por exemplo, um projeto piloto de compostagem vem transformando diariamente 100 kg de resíduos orgânicos domésticos em fertilizante por meio de digestão microbiana. O líder comunitário Lei Guoxing explicou ao China Daily como a iniciativa tem ajudado a consolidar novos hábitos entre os moradores: “Agora, com o lixo da cozinha sendo transformado em fertilizante para plantas bem na porta de casa, podemos vivenciar diretamente como o lixo se transforma em tesouro… reforçando o hábito de separar o lixo”, afirmou.
Quando as medidas começaram a ser implementadas, em 2019, as multas aplicadas a empresas por descarte inadequado aumentaram dez vezes. Já os moradores que separavam incorretamente os resíduos podiam encontrar o lixo devolvido nas calçadas após a inspeção dos coletores. O novo sistema passou a operar com quatro categorias principais: materiais recicláveis, resíduos perigosos, resíduos orgânicos e resíduos indiferenciados. Para facilitar a adaptação, a cidade investiu em novos contentores e veículos específicos para cada tipo de descarte. Além disso, restrições ao uso de itens descartáveis e não recicláveis entraram em vigor em hotéis e escritórios, incluindo chinelos e copos descartáveis. A mudança impulsionou o crescimento de empresas voltadas à produção de alternativas sustentáveis.
Uma delas é a Bluepha, que utiliza óleo de cozinha usado, conhecido como “óleo de sarjeta”, como fonte de carbono para produzir polihidroxialcanoatos (PHAs). O material pode substituir derivados de petróleo na fabricação de utensílios descartáveis, como embalagens para viagem e talheres. Segundo a empresa, cada tonelada métrica de óleo residual pode gerar entre 0,67 e 0,8 tonelada de PHA, criando cerca de US$ 4.360 em valor econômico, aproximadamente quatro vezes mais do que o óleo renderia se fosse destinado à produção de biodiesel. A companhia também afirma que a substituição de uma tonelada de plástico convencional por uma tonelada de PHA pode evitar a emissão de 1,54 tonelada de poluentes. Os produtos da Bluepha já começam a ganhar espaço no mercado internacional, inclusive entre fornecedores globais de embalagens do McDonald’s, como a TMS. Com os resultados obtidos, Xangai alcançou 86,9 pontos em uma escala nacional chinesa de gestão de resíduos que vai até 100. A marca representa a maior pontuação já registrada por uma cidade do porte da metrópole no país.
Fonte: CicloVivo
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