
19/05/2026
Bem abaixo do burburinho dos pedestres e do tráfego de veículos da Whitechapel Road, na zona leste de Londres, algo realmente apavorante estava tomando forma.
Um monstro subterrâneo, pesando mais de 130 toneladas (o peso de 11 dos famosos ônibus vermelhos de dois andares da capital britânica), respirava gases tóxicos nos esgotos londrinos.
Ele cresceu sem ser notado na rede da era vitoriana que passa embaixo daquela rua de grande movimento, até que um grupo de trabalhadores encontrou sua lateral, dura como uma rocha, durante uma inspeção de rotina.
Agora, uma equipe armada de picaretas e jatos d´água de alta pressão, vestindo roupas de proteção da cabeça aos pés, se prepara para enfrentar aquela fera em putrefação.
Seu inimigo é um aglomerado de virar o estômago, composto de gordura, óleo, graxa, lenços molhados, absorventes higiênicos e preservativos, conhecido em inglês como fatberg — um iceberg de gordura.
Esta diabólica mistura forma uma "composição mágica" que endurece como concreto, segundo Richard Martin, chefe de melhoria de tratamento da Southern Water, a empresa de água responsável pelos esgotos do sudeste da Inglaterra.
Blocos medonhos como este ameaçam cidades de todo o mundo. Eles podem surgir de maneira rápida e imprevisível.
Formados com material lançado ao esgoto pelas empresas e residências, eles bloqueiam os sistemas de esgoto, causando alagamentos e levando poluição até os rios próximos.
As famílias e empresas podem ver o esgoto retornando para seus imóveis ou fluindo para as ruas no lado externo, se os icebergs de gordura maiores não forem controlados.
Os trabalhadores da Thames Water (responsável pelo sistema de esgotos de Londres) levaram nove semanas para retirar aquela massa coagulada nos subterrâneos de Whitechapel em 2017.
E, no final de 2025, foi descoberto que ela havia retornado, crescendo novamente até atingir mais de 100 toneladas.
As companhias de água do Reino Unido enfrentam cerca de 300 mil desses acúmulos de gordura, óleo e graxa solidificada todos os anos.
Em Nova York, nos Estados Unidos, 40% dos acúmulos no esgoto são formados por graxa. A cidade gasta cerca de US$ 18,8 milhões (cerca de R$ 92 milhões) anuais, retirando a graxa e abrindo os bloqueios dos esgotos que passam por baixo das suas ruas.
Esses mastodontes que concorrem com o espécime encontrado em Londres se formam com frequência alarmante.
Icebergs de gordura gigantes já foram descobertos ocultos no subsolo de subúrbios de cidades como Detroit e Baltimore, nos Estados Unidos; Oxford e Liverpool, no Reino Unido; e em Melbourne e Sydney, na Austrália.
O grande desafio é detectar os blocos antes que eles atinjam proporções gigantescas.
Ocultos nas úmidas profundezas das cidades, os fatbergs se formam totalmente fora da nossa visão, com materiais que fazemos questão de esquecer, assim que os lançamos no esgoto.
Agora, as companhias de saneamento estão adotando novas tecnologias para ajudá-las nas suas batalhas subterrâneas contra os icebergs de gordura. Elas empregam inteligência artificial para ajudá-las a identificar os sinais dos acúmulos de gordura e intervir a tempo.
No Reino Unido, a Southern Water instalou cerca de 34 mil sensores nos seus esgotos. Eles são fixados às tampas dos bueiros e emitem sinais de radar, que são refletidos pela água do esgoto, para verificar seu nível.
Estas medições alimentam um algoritmo de aprendizado de máquina (uma forma de IA). Elas são combinadas com informações sobre dados climáticos e precipitação, para calcular qual deveria ser o nível normal da água em cada dia específico.
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