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Noruega suspende mineração em águas profundas até 2029

10/02/2026

A Noruega decidiu desacelerar seus planos de mineração em águas profundas e anunciou que não emitirá nenhuma licença para esse tipo de atividade até pelo menos 2029. A decisão, confirmada no início de dezembro de 2025, representa uma mudança significativa no ritmo de uma indústria ainda emergente e vem sendo interpretada como um alívio por ambientalistas que há anos alertam para os riscos irreversíveis da exploração mineral no fundo do oceano. O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, fez questão de ressaltar que se trata de um adiamento, e não de uma proibição definitiva. Ainda assim, a suspensão temporária já é considerada uma vitória importante diante da crescente pressão científica e ambiental contra a atividade.
A desaceleração dos planos ocorreu no contexto de negociações políticas mais amplas em torno do orçamento nacional. O Partido Trabalhista, que lidera o governo, chegou a um acordo com uma coligação de partidos de esquerda — entre eles a Esquerda Socialista, os Verdes, os Vermelhos e o Partido do Centro — para garantir a aprovação do orçamento de 2026. Como o Partido Trabalhista não detém maioria parlamentar, o apoio dessa coligação foi decisivo. O acordo firmado estabelece que nenhuma licença para mineração em águas profundas será concedida durante a atual legislatura, que se estende até 2029. Com isso, as ambições da Noruega em relação a essa indústria controversa ficam congeladas pelos próximos quatro anos, interrompendo um processo que vinha avançando rapidamente desde 2024.
Naquele ano, a Noruega ganhou destaque internacional ao se tornar o primeiro país do mundo a aprovar oficialmente a mineração em águas profundas dentro de suas próprias águas nacionais. A iniciativa tinha como objetivo a extração de nódulos ricos em minerais considerados essenciais para tecnologias de energia limpa, como painéis solares, baterias para veículos elétricos e infraestrutura digital. O governo havia delimitado uma área de aproximadamente 280.000 quilômetros quadrados entre Svalbard, Groenlândia e Islândia para a potencial exploração. Inicialmente, a expectativa era de que as primeiras licenças fossem emitidas já em 2025, abrindo caminho para a consolidação da atividade em território norueguês.
Defensores da mineração em águas profundas apresentaram o projeto como um passo estratégico rumo a uma “transição verde”, argumentando que a exploração de minerais no leito marinho reduziria a dependência do país do petróleo e do gás. Segundo essa visão, a mineração seria um elemento-chave para garantir o fornecimento de matérias-primas críticas à expansão das energias renováveis e da economia digital. No entanto, desde o início, a proposta enfrentou forte resistência. Críticos apontaram que os riscos ecológicos eram elevados demais e que as justificativas ambientais e econômicas para esta atividade eram frágeis. Cientistas e organizações ambientais passaram a alertar de forma cada vez mais incisiva para os impactos potenciais sobre ecossistemas marinhos pouco conhecidos e altamente vulneráveis.
Entre os principais alertas está o risco de danos permanentes a habitats oceânicos frágeis e a perturbação de um dos maiores reservatórios de carbono do planeta. Embora os defensores da prática afirmem que a mineração pode ser realizada de forma sustentável, a comunidade científica reconhece que o conhecimento sobre o oceano profundo ainda é limitado e insuficiente para garantir a segurança da atividade. “Sabemos muito pouco sobre o oceano profundo, mas sabemos o suficiente para termos certeza de que a exploração mineral nele dizimará a vida selvagem única, perturbará o maior reservatório de carbono do mundo e não contribuirá em nada para acelerar a transição para economias limpas”, afirmou Steve Trent, CEO e fundador da Environmental Justice Foundation.
Um relatório publicado pela fundação em 2024 reforçou essa posição ao concluir que a mineração em leito marinho não é necessária para o cumprimento das metas globais de energia limpa. De acordo com o estudo, uma combinação de reciclagem, estratégias de economia circular e avanços tecnológicos poderia reduzir a necessidade de nova extração mineral em 58% entre 2022 e 2050. A decisão da Noruega de suspender temporariamente a emissão de licenças reacendeu os apelos para que o país apoie uma moratória global sobre a mineração em águas profundas e assuma um papel mais ativo na conservação marinha. Organizações ambientais defendem que o país, conhecido por sua gestão ambiental relativamente avançada, poderia se tornar uma liderança internacional na proteção dos oceanos.
“Este deve ser o golpe final para a indústria de mineração em águas profundas na Noruega”, disse Haldis Tjeldflaat Helle, do Greenpeace Nórdico. Para ela, “qualquer governo comprometido com a gestão sustentável dos oceanos não pode apoiar a mineração em águas profundas”. Helle também instou o governo norueguês a “dar um passo à frente e se tornar um verdadeiro líder na questão dos oceanos”, defendendo a proteção formal dos ecossistemas de águas profundas do Ártico contra a extração industrial.
Apesar do alívio temporário, o futuro da mineração em águas profundas no país permanece em aberto. A posição oficial do governo deixa claro que a porta não está totalmente fechada para desenvolvimentos futuros. O próprio primeiro-ministro Støre observou que o Partido da Esquerda Socialista, um dos principais responsáveis pelo acordo orçamentário, “não detém o poder para sempre”. Por ora, contudo, nenhuma atividade de mineração ocorrerá durante a atual sessão parlamentar. Diante do crescente escrutínio de cientistas, ambientalistas e até mesmo de setores da indústria, o caminho para a mineração comercial em águas profundas segue cercado de incertezas.

Fonte: CicloVivo

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