
10/02/2026
Um novo estudo científico recém-publicado indica que o aquecimento global pode ter um efeito ainda mais intenso dentro das cidades do que o previsto por modelos climáticos tradicionais.
A pesquisa, publicada na prestigiada revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)", analisou 104 cidades de porte médio em regiões tropicais e subtropicais e concluiu que, em cerca de 81% delas, a temperatura urbana tende a subir mais rapidamente do que nas áreas rurais ao redor.
O trabalho utilizou projeções climáticas combinadas com modelos estatísticos e técnicas de aprendizado de máquina para estimar como fatores como a chuva, a umidade e a vegetação influenciam o aquecimento urbano.
➡️ Em parte das cidades avaliadas, o aumento de temperatura pode chegar a ser até o dobro do registrado no entorno rural.
Entre as cidades analisadas estão municípios de vários países da América Latina, incluindo o Brasil.
O estudo cita, por exemplo, Campo Grande, além de outras cidades brasileiras avaliadas nas projeções.
Nos resultados, os pesquisadores observaram que o comportamento das cidades brasileiras tende a ser diferente do registrado em regiões mais áridas ou densamente urbanizadas da Ásia e do Oriente Médio.
Em partes do Brasil, porém, a diferença entre o aquecimento urbano e o regional pode ser menor, em parte por causa da presença de vegetação e da maior disponibilidade de umidade, fatores que ajudam a reduzir a intensidade da chamada ilha de calor urbana.
Ainda assim, o estudo mostra que essas cidades continuam aquecendo junto com o clima regional, o que pode aumentar a frequência de dias muito quentes e de noites abafadas.
Os resultados mostram, contudo, que o comportamento de cidades pelo mundo não é uniforme: em alguns casos, a diferença entre o aquecimento urbano e o regional é pequena, enquanto em outros há um aumento mais expressivo.
Ainda assim, os pesquisadores destacam que mesmo variações aparentemente pequenas podem ter impacto relevante na vida cotidiana.
➡️ Em cidades já quentes, um aumento adicional de alguns décimos de grau pode elevar a frequência de dias muito quentes e noites abafadas, com efeitos sobre saúde, consumo de energia e qualidade de vida.
O fenômeno por trás desse resultado é conhecido como ilha de calor urbana. Cidades tendem a reter mais calor do que áreas rurais por causa da presença de concreto, asfalto e edifícios, além da menor quantidade de vegetação.
Esses materiais absorvem energia durante o dia e liberam calor lentamente à noite, mantendo as temperaturas elevadas.
Segundo os autores, os modelos climáticos globais são essenciais para prever o aquecimento do planeta, mas não conseguem representar com precisão o microclima das cidades, especialmente as de porte médio.
🌡️ Isso acontece porque esses modelos trabalham com áreas muito grandes, nas quais diferenças locais acabam diluídas.
Para contornar essa limitação, o estudo combinou dados climáticos com informações de satélite e modelos capazes de estimar com mais detalhe a temperatura da superfície nas áreas urbanas.
Os resultados indicam que, ao considerar esses fatores locais, o aquecimento nas cidades pode ser maior do que o estimado apenas com base nas médias regionais.
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