
03/04/2025
No decorrer de aproximadamente 50 quilômetros, seguimos sacolejando por uma estrada de terra no sudoeste do Wyoming, rumo a um horizonte recortado. É início de setembro, e os álamos estão começando a ficar amarelos. Enquanto subimos em direção às montanhas, o ar se torna mais frio. Em breve, haverá neve na estrada.
Jeff Munroe, professor de geologia da Faculdade de Middlebury, em Vermont, está nos levando ao passado. Nosso grupo pequeno de cientistas e aventureiros fará uma expedição pelos Montes Uinta para recriar uma série de fotos tiradas em 1870 por William Henry Jackson, fotógrafo que trabalhou para o Serviço Geológico dos Estados Unidos sob a direção do geólogo Ferdinand Vandeveer Hayden.
Jackson e Hayden documentaram a paisagem e os recursos naturais do Território do Wyoming para apoiar a expansão dos EUA. Vamos ver exatamente como o ambiente mudou.
A refotografia –capturar a mesma cena a partir do mesmo local depois de um intervalo de tempo– permite que os cientistas acompanhem as mudanças em longo prazo, como a elevação da linha das árvores alpinas, a erosão das margens e o recuo das geleiras, fenômenos difíceis de estudar de outra maneira.
A técnica pode ser mais desafiadora do que parece. Encontrar a localização geral é o primeiro obstáculo, já que o nome dos lugares muda com o tempo e as descrições podem estar desvinculadas das imagens históricas.
Depois, os pesquisadores precisam identificar as coordenadas exatas do posicionamento original do tripé, o que pode ser muito complicado em paisagens sujeitas a deslizamentos de rochas ou erosão. Pequenas variações no equipamento fotográfico também dificultam a criação de imagens idênticas, umas vez que as câmeras, os filmes e o tamanho das lentes mudam.
No nosso caso, o terreno difícil, agora combinado com um clima instável, significava que talvez nem conseguíssemos chegar à área geral, muito menos encontrar meia dúzia de locais exatos para colocar o tripé. E, embora alguns projetos de refotografia usem drones para mapear os locais, faremos todo o nosso trabalho a pé, como Jackson fez.
Munroe refotografou esses locais nos Uinta pela primeira vez em 2001. O que ele viu teria sido inimaginável no século XIX. Elementos da paisagem que Hayden descreveu como eternos, desde as "neves perpétuas" até o "limite superior" da linha das árvores, estavam mudando. No decorrer dos 131 anos que se passaram, o clima esquentou.
As mudanças ecológicas eram visíveis nas fotos novas de Munroe. As árvores preencheram os campos abertos e subiram as encostas das montanhas. As espécies de altitudes mais baixas se estabeleceram em terrenos mais altos. Toda essa transformação estava comprimindo as áreas alpinas e as espécies que dependem delas. Logo, já não teriam para onde ir.
Quando perguntei a Munroe, antes da viagem, por que ele pretendia refotografar esses locais novamente apenas 23 anos depois, ele explicou que o ritmo das mudanças climáticas está se acelerando: "Se eu tivesse observado essa paisagem entre 1950 e 1975, talvez tivesse mudado um pouco. Mas acho que, entre 2001 e 2024, ela vai ter mudado muito mais, no mesmo intervalo de tempo."
Trabalhar a partir das fotos de Jackson permite que Munroe e seu colaborador, Townsend Peterson, professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade do Kansas, observem mais de 150 anos de mudanças sobrepostas aos milhões de anos de história geológica enterrados na paisagem.
Depois de uma hora de viagem, cruzamos a divisa com Utah. Munroe prevê que vamos sentir solidão aqui nos Uinta. No fim, veríamos apenas três outras pessoas durante toda a expedição.
Chegamos ao estacionamento. Na caçamba da caminhonete alugada por Munroe, duas estudantes de pós-graduação da Universidade do Kansas, Joanna Corimanya e Anahí Quezada, lutam com sua mochila pesada.
Além dos equipamentos de trilha, elas carregam câmeras e dispositivos de GPS para registrar as paisagens, que vão ser analisadas depois no laboratório de Peterson. Também se junta a nós Eric Glassco, ex-integrante das Forças Especiais do Exército, que começou a explorar e fotografar os Uinta depois de se aposentar.
A leitura na íntegra desta matéria pode ser feita na Folha de S. Paulo

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