
03/04/2025
A Amazônia concentra grande parte das descobertas recentes de petróleo e gás natural do mundo, consolidando-se como uma nova fronteira global para a indústria fóssil.
Quase um quinto das reservas mundiais encontradas de 2022 a 2024 está na região, principalmente na costa do extremo norte da América do Sul, entre Guiana e Suriname. Essa riqueza tem atraído crescente interesse internacional, tanto de empresas da cadeia petrolífera quanto de países vizinhos como o Brasil, que busca explorar sua própria margem.
No total, a região amazônica acumula em torno de 5,3 bilhões de barris de óleo equivalente (BOE) dos cerca de 25 bilhões descobertos globalmente no período, segundo análise realizada por InfoAmazonia a partir de informações do Monitor de Energia Global, que coleta dados sobre infraestrutura energética.
"A Amazônia e os blocos offshore adjacentes representam uma grande parcela das recentes descobertas de petróleo e gás no mundo", afirmou Gregor Clark, coordenador do Portal Energético para a América Latina, plataforma ligada ao Monitor de Energia Global.
Para ele, esse avanço, porém, "é incompatível com as metas internacionais de redução de emissões e traz consequências ambientais e sociais significativas, tanto em escala global quanto local".
Além das reservas já identificadas, a Amazônia concentra uma grande proporção de áreas subexploradas na América do Sul. A região abriga 794 blocos de petróleo e gás —áreas oficialmente delimitadas para a exploração, sem a garantia da existência de recursos. Quase 70% desses blocos na Amazônia estão em fase de estudo ou disponíveis para oferta ao mercado, ou seja, ainda improdutivos.
Em contraste, 60% dos cerca de 2.250 blocos sul-americanos fora do bioma já estão concedidos –liberados para a busca de reservas e a extração de recursos–, consolidando a Amazônia como um caminho promissor de expansão da indústria. Isso é o que revela análise a partir de dados dos países amazônicos compilados até julho de 2024 pelo Instituto Internacional Arayara, que monitora atividades petrolíferas na região.
De todo o território amazônico, apenas não existem blocos petrolíferos na Guiana Francesa, onde os contratos são proibidos por lei desde 2017.
A nova onda exploratória que se desenha coloca em risco um bioma essencial para o equilíbrio climático global e as populações que nele vivem, justamente quando o mundo intensifica os debates sobre a redução da dependência de combustíveis fósseis.
Na Amazônia, 81 blocos concedidos se sobrepõem a 441 terras ancestrais, e outros 38 blocos liberados afetam 61 unidades de conservação. Além disso, entre os blocos em fase de estudo ou oferta, 114 estão situados em terras indígenas e 58 em áreas naturais protegidas, segundo a análise.
Esse movimento expansionista –que mantém o modelo extrativista predominante desde a colonização europeia das Américas– se vale de acordos desfavoráveis às populações locais, provoca conflitos internos em comunidades impactadas e atrai grupos armados a áreas ricas em recursos naturais que carecem de serviços e presença estatal.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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