
03/04/2025
Nos últimos anos, o debate sobre o impacto ambiental do uso de pesticidas na agricultura tem ganhado cada vez mais destaque. No Reino Unido, após anos de expectativa, o governo anunciou sua primeira meta oficial para a redução desses produtos químicos, prometendo cortar em 10% o seu uso nas fazendas aráveis até 2030. A iniciativa visa proteger abelhas e outros polinizadores essenciais para a biodiversidade e para a segurança alimentar.
O plano representa uma mudança significativa na estratégia agrícola do país e tem sido amplamente debatido por especialistas e ativistas ambientais. Embora o plano seja bem recebido como um passo na direção certa, seu escopo é mais restrito do que iniciativas comparáveis na União Europeia, que visa uma redução de 50% no uso e no risco de pesticidas químicos até o fim da década.
Diferente de outras abordagens, que focam apenas na quantidade de pesticidas utilizados, o Reino Unido introduziu um novo método de medição chamado “indicador de carga de pesticidas”. Esse indicador leva em consideração não apenas o volume de produtos químicos empregados, mas também sua toxicidade e os riscos que representam ao meio ambiente e à saúde humana.
Grupos ambientais elogiaram essa abordagem mais detalhada, como a Pesticide Collaboration, uma coalizão de organizações voltadas para a saúde e o meio ambiente. “Embora esperássemos uma porcentagem maior, a adoção de uma meta que leva em conta a quantidade de um pesticida usado e o quão tóxico ele é, é um sinal claro de que a redução de danos relacionados a ele agora está sendo levada a sério”.
Outro aspecto central do plano é a ênfase no manejo integrado de pragas (MIP), uma estratégia que propõe métodos sustentáveis para o controle dessas espécies, reduzindo a dependência de pesticidas químicos. O MIP incentiva práticas como a rotação de culturas, o plantio de “culturas armadilha” – que atraem insetos nocivos para longe das plantações principais – e a introdução de predadores naturais, como joaninhas e besouros carnívoros, que ajudam a conter as populações de pragas.
A comunidade agrícola recebeu bem a iniciativa, mas enfatizou a necessidade de suporte técnico e financeiro para a implementação dessas mudanças. Martin Lines, presidente-executivo da Nature Friendly Farming Network, destacou que: “reduzir drasticamente o uso de produtos químicos e fazer a transição para soluções baseadas na natureza — como criar habitats para insetos predadores — é absolutamente essencial para construir um sistema de alimentos e agricultura que seja resiliente para o futuro”.
Apesar da recepção positiva às novas medidas para a agricultura, a exclusão do uso de pesticidas em áreas urbanas gerou críticas. Parques, jardins públicos e espaços verdes urbanos também são afetados pelo uso desses produtos químicos, e muitos ativistas argumentam que o plano deveria contemplar sua eliminação gradual em tais locais também.
Paul de Zylva, ativista da organização Friends of the Earth, falou sobre isso: “O governo deve se comprometer com a eliminação gradual do uso de pesticidas e herbicidas em parques e ruas urbanos, pois eles colocam em risco a saúde de pessoas, animais de estimação, vida selvagem, rios e solos.” Embora o governo tenha indicado que abordará essa questão separadamente, há um receio de que a ausência de metas específicas para áreas urbanas enfraqueça o impacto geral da estratégia.
A redução do uso de pesticidas é uma medida crucial para conter a perda de biodiversidade. Nos últimos anos, diversos estudos apontaram um declínio alarmante nas populações de abelhas e outros insetos polinizadores, fenômeno que ameaça a produção agrícola e a estabilidade dos ecossistemas.
A decisão do Reino Unido de estabelecer uma meta de redução de pesticidas está alinhada com esforços globais para mitigar esses impactos. Nos Estados Unidos e em diversos países da Europa, já existem políticas restritivas quanto ao uso de pesticidas altamente tóxicos, como os neonicotinoides, conhecidos por seus efeitos devastadores sobre as abelhas.
Embora a meta de redução de 10% possa parecer modesta, especialistas acreditam que ela pode abrir caminho para políticas mais ambiciosas no futuro. A implementação desse plano será um teste para a capacidade do governo britânico de conciliar crescimento econômico, produtividade agrícola e preservação ambiental.
A ministra do Meio Ambiente, Emma Hardy, destacou a importância do anúncio dentro do contexto de compromissos mais amplos do Reino Unido para com os ecossistemas naturais. “O governo está restaurando nosso mundo natural como parte de nosso compromisso de proteger o meio ambiente, ao mesmo tempo em que apoia a produtividade e o crescimento econômico.
Entretanto, para que essa estratégia seja bem-sucedida, será fundamental garantir financiamento adequado para pesquisas e incentivos que auxiliem os agricultores na adoção de métodos alternativos. Além disso, será necessário um monitoramento rigoroso do cumprimento das metas, incluindo penalidades para aqueles que utilizarem pesticidas de forma irresponsável.
Fonte: CicloVivo

Caixão é abandonado em lixão irregular na Zona Oeste do Rio
03/04/2025
Parque Nacional do Itatiaia divulga primeiras pinturas rupestres descobertas no Rio
03/04/2025
Jovens de mais de 40 países se reúnem em BH para discutir desafios ambientais antes da COP30
03/04/2025
Natura usa drones com IA para mapear e restaurar Amazônia
03/04/2025
Amazônia desponta como nova fronteira global do petróleo
03/04/2025
Quase metade dos brasileiros trocaria veículos à combustão por bicicletas elétricas
03/04/2025