
06/10/2026
A guerra no Irã provocou uma mudança inesperada nas projeções para as emissões globais de dióxido de carbono (CO₂) em 2026.
Depois de começar o ano prevendo crescimento, estimativas atualizadas da Agência Internacional de Energia (IEA) passaram a indicar uma pequena queda nas emissões associadas ao uso de petróleo, gás e carvão.
A redução projetada é de cerca de 0,5% em relação a 2025, segundo uma análise do Carbon Brief, site britânico especializado em mudanças climáticas, baseada nas previsões da agência.
Em volume, isso representa aproximadamente 190 milhões de toneladas de CO₂ a menos.
O número é relevante porque quedas nas emissões globais de combustíveis fósseis são raras. Mas também exige cautela: o recuo corresponde a uma fração pequena das quase 40 bilhões de toneladas de CO₂ emitidas anualmente pela queima de carvão, petróleo e gás.
Além disso, a estimativa ainda é uma projeção para o conjunto de 2026, e pode mudar de acordo com a duração do conflito, os preços da energia e a recuperação do fornecimento de combustíveis nos próximos meses.
Veja o que os dados indicam até agora:
📉 As emissões fósseis podem terminar 2026 cerca de 0,5% abaixo de 2025.
🛢️ O petróleo concentra boa parte da mudança: a previsão da IEA passou de crescimento da demanda no início do ano para uma redução de cerca de 2,5 milhões de barris por dia em setembro.
🔥 O gás também perdeu espaço nas projeções, após restrições de oferta e preços mais altos.
🪨 O carvão segue na direção oposta: o consumo global deve crescer e atingir um novo recorde neste ano.
🌡️ Uma queda anual nas emissões, contudo, não significa queda do CO₂ na atmosfera. O mundo continuaria emitindo dezenas de bilhões de toneladas e aumentando a concentração do gás.
Os dados da Agência Internacional de Energia (IEA), checados pelo g1, mostram como a projeção mudou ao longo do ano. O movimento foi apontado primeiro pelo Carbon Brief e depois destacado em uma análise do jornal “The Washington Post”.
Em janeiro, a projeção indicava que as emissões associadas aos combustíveis fósseis ficariam 281 milhões de toneladas acima das de 2025.
A revisão da demanda por petróleo virou esse resultado para 260 milhões de toneladas abaixo. Depois, a nova previsão para o gás aprofundou o recuo para 454 milhões de toneladas abaixo de 2025.
O aumento projetado do carvão compensou parte dessa redução. Com isso, a estimativa mais recente aponta para um saldo de aproximadamente 191 milhões de toneladas de CO₂ a menos que em 2025.
A diferença entre a expectativa feita em janeiro e a projeção atual chega, portanto, a cerca de 472 milhões de toneladas de CO₂.
⚠️ Isso, contudo, também não significa que 472 milhões de toneladas deixaram efetivamente de ser emitidas. O número mostra quanto a previsão para o ano mudou desde janeiro.
Essa distinção é importante porque parte da mudança resulta de previsões feitas antes da guerra que não se confirmaram, e não apenas de uma redução absoluta do consumo já registrada.
Conclua a leitura desta reportagem acessando o g1
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