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Metrô de São Paulo busca certificação ambiental pela primeira vez

09/06/2026

Inédito em sua cinquentenária história, o metrô de São Paulo buscará certificação ambiental para uma de suas estações. A primeira delas, em um projeto-piloto, será a Anália Franco, na zona leste paulistana.
Com previsão de inauguração no próximo ano, a estação faz parte da primeira fase da expansão da linha 2-verde. Quando estiver totalmente concluído, o ramal ligará a Vila Madalena, na zona oeste da capital paulista, a Guarulhos.
De acordo com Luiz Antonio Cortez Ferreira, gerente de planejamento e meio ambiente do Metrô, a empresa estatal irá buscar a certificação internacional LEED. O selo atesta sustentabilidade operacional, com eficiência energética, uso racional da água, iluminação natural, qualidade do ar interno e gestão de resíduos.
A Anália Franco foi escolhida para o projeto-piloto por ser uma das mais adiantadas e por integrar a fase um da expansão da linha 2, entre as estações Vila Prudente e Penha. Com 8,3 km de extensão, a inauguração do trecho é prevista para 2028.
A estação está com as obras civis em fase de conclusão e início da instalação dos sistemas eletrônicos.
O modelo foi escolhido porque é o mais apropriado para prédios usados em transporte público.
O sistema de certificação que será adotado faz a avaliação por pontuação do investimento sustentável.
Ou seja, quanto mais pontos, maior o grau de certificação.
Como a ideia de se certificar surgiu quando o projeto da estação já estava pronto, o Metrô buscará o padrão Silver, o terceiro de um ranking de qualidade, atrás de Gold e Platinum.
Esse mesmo patamar deverá ser adotado nas demais estações da extensão da linha 2-verde. A ideia, porém, é ter o Platinum em futuros projetos, como as linhas 20-rosa, 21-vinho e 22-marrom.
"Os novos projetos são desenvolvidos, considerando todos os requisitos para poder obter a certificação", afirma Cortez.
Os principais pontos de investimento para se obter a certificação são a eficiência energética e a redução no consumo de água.
No uso de recursos, a estação contará com captação e reuso de água de chuva para descargas, limpeza e irrigação. Dispositivos reduzirão em pelo menos 20% o consumo de água potável.
Na parte energética, estão previstas iluminação totalmente em LED, escadas rolantes com controle de frequência e uso de energia solar para aquecimento de água.
Do lado de fora haverá espaços de convivência com áreas verdes ocupando ao menos 50% do entorno para reduzir o calor e melhorar a permeabilidade do solo.
As mudanças não devem ser perceptíveis para o usuário desatento ou na correria. Mas o Metrô não descarta investir na comunicação para informar que aquela é uma estação verde, quando estiver em operação.
Além da política ambiental, a certificação ambiental é importante para adequação a regramentos do mercado —a companhia tem títulos negociados em bolsa.
"O Metrô precisa estar preparado para a série de exigências para as empresas que tem algum tipo de negócio na B3", diz Ferreira.
A estatal também está de olho em oportunidades melhores de financiamentos, por ser vista como uma empresa que apresenta riscos menores, por exemplo.
O Metrô só poderá buscar a certificação quando a estação estiver operacional, ou seja, com obras prontas. Em média, o resultado sai em dois anos.
Com início de obras em 2021 e uma área total de 28 mil m², a expectativa é que a estação Anália Franco receba 13 mil passageiros por dia.
Com aproximadamente 40 metros de profundidade, a estação terá seis níveis internos —contando com a plataforma de embarque e mezaninos. Terá 23 escadas rolantes e oito elevadores. Ela será ligada ao shopping Anália Franco.
A construção da futura parada de metrô foi em meio a polêmicas. Moradores da região apontaram as obras no local como responsáveis pelos constantes alagamentos na região da avenida Vereador Abel Ferreira, via que corta bairros nas regiões do Tatuapé e Jardim Anália Franco.
O Metrô nega. Marcus Vinícius Garcia Herani, chefe do departamento de obra civil da empresa estatal, diz que a água já se acumulava ali por causa do córrego Capão do Embira, por exemplo, bem antes de os trabalhos começarem.
"Ocorre que a gente fechou uma área para construção da estação. Essa água passa por dentro de nossa estação e sai no mesmo ponto de antes. E aí as pessoas condicionam isso à obra", afirma.
De acordo com ele, o Metrô está executando as galerias de águas pluviais e captações para minimizar os efeitos de chuva. Também diz que não há relação entre as enchentes e os investimentos ambientais.

Fonte: Folha de S. Paulo

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