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Caso de homem atacado por morcego-vampiro é descrito pela ciência; entenda o comportamento

17/09/2026

Eles não atacam o pescoço em pleno voo, como nos filmes, nem têm os seres humanos como suas presas preferidas. Ainda assim, morcegos-vampiros podem se alimentar de sangue humano — e fazer isso de maneira tão discreta que a pessoa sequer percebe a mordida.
Um caso registrado na Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ), ajuda a entender essa relação. Um morador de 33 anos teve o sangue sugado por um morcego hematófago enquanto dormia e só percebeu o ferimento pela quantidade de sangue no pé e no chão. Ele não sentiu dor nem chegou a ver o animal.
O episódio foi descrito no artigo científico “Humanos no cardápio: relato de ataque de morcego-vampiro na Ilha Grande-RJ e implicações para a saúde”, publicado em 2026 na revista Physis.
O estudo, conduzido por pesquisadores ligados à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), relata um dos poucos registros desse tipo no estado e discute também os riscos relacionados à transmissão da raiva.
Das mais de 1,4 mil espécies de morcegos conhecidas no mundo, apenas três espécies viventes são hematófagas, ou seja, dependem exclusivamente de sangue para se alimentar: Desmodus rotundus, Diaemus youngii e Diphylla ecaudata. As três ocorrem do norte da Argentina ao norte do México.
Entre elas, Desmodus rotundus, conhecido como morcego-vampiro-comum, é o mais frequente no Brasil.
“O Desmodus rotundus é a mais comum das três espécies de morcegos hematófagas que ocorrem no Brasil. São generalistas, se alimentando de sangue de mamíferos de médio e grande porte, aves e eventualmente humanos”, explica Roberto Leonan M. Novaes, doutor em Biodiversidade e Biologia Evolutiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisador da Fiocruz e especialista em morcegos.
Segundo Novaes, as outras duas espécies são mais raras, menos adaptadas a ambientes muito alterados e têm alimentação predominantemente baseada no sangue de aves.
Em condições naturais, porém, humanos estão longe de ser a primeira opção do morcego-vampiro-comum.
“Humanos não são as presas preferenciais dos morcegos hematófagos, mas podem ser parte do cardápio mais frequentemente em casos onde não há suas presas preferenciais. Em condições naturais, suas principais presas são catetos, queixadas, veados, tatus e outros mamíferos de médio e grande porte. Em ambientes rurais, o gado se tornou preferencial pela sua grande abundância”, afirma o pesquisador.
O artigo também aponta que ataques a humanos são considerados eventos raros e aparecem com maior frequência nas regiões Norte e Nordeste do país. A literatura analisada pelos autores associa parte desses episódios a desequilíbrios ecológicos e à redução repentina da disponibilidade de animais domésticos e silvestres.

A aproximação é muito mais discreta do que aquela eternizada pelas histórias de vampiros.
O Desmodus rotundus combina diferentes sentidos para localizar uma possível fonte de alimento.

Clique no g1 e conclua a leitura desta matéria.

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