UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
O que é carbono azul e o que ele mostra sobre a relação entre clima e oceano

09/06/2026

Costumamos olhar para florestas como um instrumento natural para combater a mudança climática. Mas, ao fazer isso, viramos as costas para o maior regulador climático do planeta: o oceano, que absorve cerca de 30% do dióxido de carbono jogado na atmosfera pelas atividades humanas.
É o chamado carbono azul, armazenado pela biodiversidade dos ecossistemas marinhos. E não apenas aqueles submersos —algo especialmente importante para países com grandes territórios costeiros, como é o caso da Austrália, do Brasil e das muitas nações insulares do Caribe e dos oceanos Pacífico e Índico.
Na cidade litorânea de Perth, capital e maior cidade do estado da Austrália Ocidental, o ecólogo marinho Mat Vanderklift dedica sua carreira a encontrar soluções baseadas no oceano para problemas como a crise do clima e a insegurança alimentar.
Ele afirma que um dos principais benefícios das iniciativas de carbono azul é o seu aspecto multifacetado, ajudando a lidar com vários problemas ao mesmo tempo.
"A proteção de manguezais e pradarias marinhas pode abordar mitigação e adaptação às mudanças climáticas, segurança alimentar, proteção da biodiversidade e muito mais", diz o pesquisador, que chefia o Centro de Carbono Azul da CSIRO (Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth, na sigla em inglês) e o Centro de Pesquisa Marinha do Oceano Índico.
Na mitigação, ou seja, no combate à piora do aquecimento global, dois aspectos são centrais: evitar que gases de efeito estufa entrem na atmosfera, o que acontece quando manguezais ou restingas são desmatados, por exemplo, e aumentar a absorção de CO₂ restaurando ecossistemas.
"O próprio fundo marinho absorve e armazena carbono", ressalta a bióloga Marina Correa, especialista em conservação oceânica da WWF-Brasil. "Até as baleias têm uma função na mitigação, porque, ao se movimentarem no oceano, aumentam a circulação e fazem com que os plânctons permaneçam na superfície, fazendo fotossíntese e absorvendo carbono. A relação entre oceano e clima é intrínseca."
Já a adaptação climática reconhece que alguns efeitos das mudanças climáticas estão em curso. "Se o problema é a elevação do nível do mar, uma estratégia de adaptação pode ser dar espaço para o crescimento dos manguezais —para cima, se o sedimento conseguir acompanhar o ritmo, ou para trás, em direção à terra, de modo que, mesmo que a borda frontal seja perdida, o ecossistema possa recuar e sobreviver", explica Vanderklift.
Paisagens costeiras saudáveis também ajudam a amenizar o impacto de eventos climáticos extremos, como tempestades. O atrito criado por elas reduz a velocidade da água e o impacto das ondas, além de funcionarem também como quebra-vento.
"Tanto os recifes de coral quanto os manguezais servem como proteção da costa, além de todos os outros serviços ecossistêmicos prestados por eles, ligados à segurança alimentar e muito mais", analisa Correa.
Milhões de pessoas se beneficiam da pesca e da coleta de animais, como caranguejos e mariscos, tanto para consumo próprio como para o comércio —um aspecto, assim como a conservação da biodiversidade marinha, diretamente ameaçado pela crise climática.
"Se diminuem os impactos cumulativos, como poluição e sobrepesca, aumenta a capacidade desse ecossistema se autorregular frente ao aquecimento e à acidificação do oceano. O objetivo de unidades de conservação e outras áreas marinhas protegidas é exatamente diminuir impactos cumulativos para que a biodiversidade e as comunidades que dependem dela sigam saudáveis", explica a bióloga.
Além dos benefícios locais, regionais e planetários, iniciativas de carbono azul também podem se converter em instrumentos de mercado, por meio de créditos de carbono azul.
"O carbono azul tende a ser mais atraente para compradores que desejam algo além da mitigação", afirma Vanderklift.
Como os projetos normalmente são mais custosos do que os feitos em terra, créditos de carbono azul tendem a ser mais caros. Esse valor está normalmente associado a soluções de captura de carbono mais eficazes e completas, mas o especialista ressalta também a importância de considerar nessa precificação o impacto e os benefícios do projeto para as comunidades locais.
"Quando se obtém esse conjunto de benefícios em um único pacote, os compradores desses créditos estão dispostos a pagar um pouco mais. Eles existem, só não estou convencido de que representem a maioria do mercado ainda", pondera, acrescentando que esse cenário é muito diferente de um país para outro.
"Na Austrália, a tecnologia existe, mas os custos são muito altos —na maioria das vezes, proibitivos", exemplifica. "Em outras partes do Oceano Índico, os custos podem não ser tão altos —custos de mão de obra são menores em alguns lugares, por exemplo— mas a capacidade técnica também pode ser menor. Cada contexto é diferente."

Fonte: Folha de S. Paulo

Novidades

Câmara do Rio aprova plano de arborização específico para as favelas

17/09/2026

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou nesta quarta-feira (16) um projeto de lei que cria uma ...

Caso de homem atacado por morcego-vampiro é descrito pela ciência; entenda o comportamento

17/09/2026

Eles não atacam o pescoço em pleno voo, como nos filmes, nem têm os seres humanos como suas presas p...

Pesquisa inédita no Brasil vai rastrear baleias-jubarte por satélite e mapear risco de atropelamentos por navios no litoral do ES

17/09/2026

Na próxima temporada de reprodução das baleias-jubarte, dez delas terão um pequeno transmissor preso...

Pescadores pedem tombamento de pedral em rio para vetar hidrovia no Pará

17/09/2026

O pescador Ernandes Silva, 52, relata o medo de perder sua fonte de sustento diante de um projeto de...

VÍDEO: Manaus amanhece encoberta por fumaça pela 3ª vez em menos de 10 dias; qualidade do ar chega a nível péssimo

17/09/2026

A qualidade do ar voltou a piorar em Manaus na manhã desta quinta-feira (17). Por volta das 7h30, to...

Governo define regra para abolir licença ambiental em pesquisa de minerais

17/09/2026

O governo Lula está prestes a criar uma regra nacional para liberar atividades de pesquisa de minera...