
26/05/2026
Uma baleia-jubarte foi avistada na manhã desta segunda-feira na Praia de Ipanema, na Zona Sul do Rio. O animal foi registrado por pesquisadores do Instituto Mar Urbano durante uma expedição voltada ao monitoramento das chamadas “raias da Guanabara”, espécies encontradas no litoral carioca e na Baía de Guanabara. O flagrante aconteceu por volta das 8h, na altura da Casa de Cultura Laura Alvim, sobre a região do emissário submarino de Ipanema.
O registro foi feito pela equipe da expedição Águas Urbanas, projeto que há cinco anos pesquisa a biodiversidade marinha da Baía de Guanabara e das águas do entorno do Rio. Pouco antes de encontrar a baleia, o pesquisador e ambientalista Ricardo Gomes afirmou que a equipe havia acabado de retirar uma raia presa em uma rede de pesca.
Segundo Gomes, presidente do Instituto Mar Urbano, a equipe ouviu primeiro o “borrifo” característico do mamífero antes de avistá-lo no mar.
— Estávamos atrás das raias, trabalhando na expedição Águas Urbanas, quando acabamos de liberar uma raia presa numa rede. Logo depois escutamos um borrifo. A baleia estava sozinha, parecia ser um indivíduo jovem-adulto. Foi um encontro muito especial — relatou.
Ricardo destacou que a presença da jubarte reforça a recuperação da vida marinha na costa fluminense e ocorre em um momento em que o mundo discute formas mais sustentáveis de exploração do oceano.
— Essa baleia vem num momento em que o mundo inteiro está discutindo a relação do homem com o oceano e maneiras mais sustentáveis de usar os recursos marinhos, dentro do conceito de economia azul. O turismo de observação de baleias, feito de forma responsável e respeitando os critérios de aproximação, mostra que uma baleia viva vale milhões de vezes mais do que uma baleia morta — afirmou.
O ambientalista lembrou ainda a relação histórica do Rio com a caça às baleias.
— A primeira indústria do Brasil foi a caça às baleias na Baía de Guanabara. Hoje, ver esses animais voltando é fantástico — disse.
A aparição da jubarte ocorre no início da temporada de migração da espécie pelo litoral brasileiro. Nesta época do ano, os animais deixam áreas de alimentação no sul do continente em direção ao Nordeste brasileiro, onde se reproduzem.
— A temporada já começou e é comum avistar baleias ao longo da costa. Quem estiver na praia, com um binóculo, consegue observar os animais em alguns pontos. Eu mesmo vi uma da Pedra do Arpoador — contou Ricardo.
A especialista em mamíferos aquáticos Mariana Neves, do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua-Uerj), afirma que os registros têm se tornado mais frequentes nos últimos anos, embora ainda não exista uma explicação definitiva para a chegada mais cedo dos animais à costa do Rio.
— Não sabemos ainda por que elas estão aparecendo mais cedo. Isso é um fenômeno que vem acontecendo nos últimos anos — explicou.
Ela ressalta que a espécie não está ameaçada de extinção e vive atualmente um processo de recuperação populacional graças aos esforços de conservação.
— A baleia-jubarte hoje é classificada como pouco preocupante quanto ao risco de extinção. Essa população que utiliza a costa brasileira, principalmente o Nordeste, para reprodução está aumentando e voltando a ocupar regiões onde antes havia sido fortemente impactada pela caça. Os avistamentos aqui no litoral do Rio têm sido frequentes nos últimos anos — afirmou a pesquisadora.
Fonte: Extra Online
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