
30/04/2026
A bióloga e pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTI) Maria Teresa Fernandez Piedade é a vencedora do Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026, um dos mais importantes reconhecimentos científicos do Brasil na área de Ciências da Vida. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, Piedade acumula quase 50 anos de atuação na Amazônia, com foco em ecologia de ecossistemas, especialmente nas dinâmicas de áreas úmidas amazônicas.
Sua trajetória científica é marcada por estudos sobre o pulso de inundação e seus efeitos na biodiversidade, nas interações ecológicas e no funcionamento dos ecossistemas. A pesquisadora também se destaca em temas como manejo sustentável, monitoramento ambiental, produção primária, balanço de carbono e ecofisiologia de espécies arbóreas e plantas aquáticas: tópicos essenciais para compreender as mudanças climáticas e a conservação da Amazônia.
Além da pesquisa, Maria Teresa Piedade atua como docente nos programas de pós-graduação em Ecologia e Botânica do INPA e lidera o grupo “Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (MAUA)”. Também foi responsável pela criação do Programa Ecológico de Longa Duração (PELD MAUA), que coordenou entre 2013 e 2019. Os estudos desenvolvidos no programa fornecem dados estratégicos sobre biodiversidade, dinâmica do carbono e impactos das mudanças climáticas e das atividades humanas em ecossistemas críticos da Amazônia.
“Receber o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é um sonho inimaginável. Eu nunca imaginei que eu tivesse essa honraria atribuída pelos pares e pelo comitê, ao qual eu agradeço enormemente, porque eu vejo muitos dos laureados que me precederam e eles foram pessoas de grande importância e influência na minha carreira e vida”, agradece a pesquisadora, citando o geógrafo e professor Aziz Ab’Saber e a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader.
Segundo a pesquisadora, a Amazônia funciona como um sistema integrado, onde rios, florestas de terra firme e áreas alagáveis atuam no bombeamento de água para outras regiões do Brasil. Esse processo influencia diretamente o regime de chuvas no Sul e Sudeste, sendo essencial para a agricultura e o abastecimento hídrico.
“A água sobe e desce ao longo do ano e transforma os sistemas de uma maneira única, gerando adaptações de organismos e também influenciando todas as cadeias alimentares e os estoques de carbono da região de uma maneira única. Então, a sociedade brasileira, de uma maneira geral, depende de todo o balanço hídrico da região amazônica”, observa Fernandez Piedade.
A dinâmica dos rios amazônicos, que podem variar até 10 metros entre cheia e seca, afeta toda a biota e as populações humanas locais. Comunidades ribeirinhas, indígenas e tradicionais dependem diretamente desse ciclo natural para sua subsistência. As áreas úmidas, ricas em nutrientes, sustentam a agricultura familiar e contribuem para a segurança alimentar de diversas regiões.
Os estudos liderados por Piedade reforçam a importância da conservação dos ecossistemas amazônicos e ajudam a embasar políticas públicas ambientais. A compreensão das relações ecológicas e econômicas da região é fundamental para definir estratégias de preservação e garantir o funcionamento sustentável desses sistemas.
“E o que a gente tem encontrado é que, em 30 anos, mais de 125 quilômetros de áreas após a hidrelétrica de Balbina, que tem sido um dos nossos focos, as florestas vêm morrendo gradualmente, em função da falta de regularidade no suprimento de água, porque esse suprimento passa a responder à demanda energética”, diz, referindo-se à hidrelétrica construída no rio Uatumã, localizada na parte nordeste do Estado do Amazonas. Sua equipe também já evidenciou o papel do peixe boi amazônico como dispersor de sementes e plantas aquáticas. “Foi um achado fantástico, porque a importância desse animal emblemático já era citada de várias maneiras, mas nunca como um dispersor, o que significa que ele tem um papel mais importante ainda e a preservação desse animal nos sistemas aquáticos e de áreas alagáveis e úmidas da Amazônia”, ressalta.
Criado em 1981, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto reconhece pesquisadores brasileiros com contribuições científicas ou tecnológicas de grande impacto. A premiação é realizada anualmente em sistema de rodízio entre três áreas do conhecimento: Ciências Exatas e Engenharias, Ciências Humanas e Ciências da Vida (categoria de 2026).
A cerimônia de entrega acontecerá no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro. A premiação inclui diploma, medalha e um valor de R$ 200 mil.
Fonte: CicloVivo
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