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Araras-vermelhas-grandes voltam a nascer na mata atlântica

30/04/2026

Após quase 200 anos da extinção da espécie no bioma, o Ibama (Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) registrou neste mês o primeiro nascimento documentado de dois filhotes de arara-vermelha-grande na mata atlântica.
O nascimento faz parte de um projeto iniciado em 2022 no Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama em Porto Seguro, no sul da Bahia, que busca promover o retorno da espécie ao litoral brasileiro.
A espécie foi registrada na mata atlântica em 1500, na carta em que Pero Vaz de Caminha relata o descobrimento do Brasil ao rei de Portugal, dom Manuel. No documento histórico, as aves são descritas como "papagaios vermelhos, muito grandes e formosos".
Viajantes como o príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied também registraram a presença da arara-vermelha-grande. No caso do príncipe, o registro foi feito em uma expedição entre o rio Mucuri e Salvador.
Segundo o Ibama, o desmatamento e a captura ilegal levaram à extinção da ave em todo o litoral brasileiro. Ainda existem populações selvagens da espécie nas regiões Centro-Oeste e Norte.
As aves utilizadas no projeto vieram de cativeiro, por meio de doações de particulares ou apreensões realizadas no combate ao tráfico de animais silvestres.
No centro de triagem de Porto Seguro, as aves são identificadas com microchips e anilhas metálicas. Também passam por avaliação clínica e comportamental, testes sanitários e são submetidas a um período de quarentena.
O processo inclui a inserção das araras em viveiros de voo, com treinamento para condicionamento físico, socialização e adaptação ao ambiente natural, o que inclui oferta de frutas nativas e instalação de caixas-ninho artificiais.
Em 2024, o primeiro grupo de aves, com 35 exemplares, foi solto em uma área da mata atlântica com 7.000 hectares em estágio de regeneração, que incluiu a Estação Veracel, considerada a maior reserva particular do patrimônio natural de mata atlântica no Nordeste, em Porto Seguro.
Ambientalistas observaram que algumas caixas-ninho já estavam ocupadas no primeiro ano após a soltura. Em 2026, em uma nova etapa, casais de araras-vermelhas-grandes passaram a defender as estruturas, em um comportamento que indica a reprodução.
Na observação, feita à distância, foi possível notar que um dos casais permanecia durante longos períodos em uma das caixas-ninho. Depois disso houve a confirmação do nascimento dos dois filhotes —eles foram vistos voando, sendo alimentados pelos pais e iniciando a exploração de alimentos de forma independente.
De acordo com o Ibama, a arara-vermelha-grande tem um papel ecológico importante ao alimentar-se de frutos e sementes, o que contribui para a dispersão dos mesmos. O porte grande torna a ave capaz de transportar sementes por longas distâncias, contribuindo para a regeneração florestal.

Fonte: Folha de S. Paulo

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