
24/03/2026
As últimas semanas foram de altos e baixos para o pinguim-de-humboldt, espécie que habita o litoral do Peru e, sobretudo, do Chile.
Em 23 de fevereiro, o Tribunal de Justiça da região de Antofagasta, no Chile, confirmou a rejeição do projeto minerador-portuário Dominga, de produção de concentrado de ferro e cobre, devido aos impactos ambientais estimados. Esse havia sido mais recente revés da empresa Andes Iron, que há anos tenta emplacar o projeto, reprovado em três outras avaliações.
"A empresa se recusou a aceitar as rejeições, apresentando repetidamente diferentes ações judiciais, uma questão que se arrasta desde 2017. O projeto não conta com o apoio da comunidade científica nem de grande parte da comunidade local, além de ser uma iniciativa que esteve envolvida nos casos mais recentes de conflitos de interesse e corrupção divulgados pela mídia no Chile", lembra à DW Tania Rheinen, vice-diretora executiva da organização Oceana no Chile.
"A insistência no projeto sem modificações revela uma visão de curto prazo de um grupo que não tem a intenção de desenvolver o projeto, que não é reconhecido como um grupo de mineração, mas que teria a intenção de vendê-lo", acrescenta Marcelo Mena, ex-ministro do Meio Ambiente do Chile. "É um projeto que tem certos elementos de especulação: valeria mais com um projeto aprovado", considera.
Localizado a 16 quilômetros do município de La Higuera, na região norte de Coquimbo, o local previsto para o projeto está a apenas 30 quilômetros da Reserva Nacional dos Pinguins-de-Humboldt, onde se encontram as Reservas Marinhas da Ilha Chañaral, da Ilha Choros e da Ilha Damas.
"O projeto portuário-minerador Dominga foi rejeitado por ser incompatível com o meio ambiente e com os empregos sustentáveis que hoje são desenvolvidos no Arquipélago de Humboldt, uma área de conservação que busca proteger uma biodiversidade única no país", ressalta Rheinen.
O Arquipélago de Humboldt é um conjunto de oito ilhas e ilhotas onde vivem 560 espécies marinhas, entre elas o pinguim-de-humboldt. "Aí está uma das origens fundamentais do conflito de Dominga", destaca Mena.
O local é morada de 80% dessa espécie de pinguins. "Como a maior parte de sua população reprodutiva se concentra no Chile, o país tem uma grande responsabilidade em sua conservação", explica à Yacqueline Montecinos, coordenadora de Biodiversidade Marinha e Políticas Oceânicas da WWF Chile.
Assim como acontece com outras espécies, uma das principais ameaças ao pinguim é a perda de habitat. "O habitat do pinguim-de-humboldt são os ilhéus, pequenas ilhas em frente à costa do Chile, e todos eles já estão sob algum tipo de proteção, o último deles foi o mar de Pisagua", destaca Maisa Rojas, ex-ministra do Meio Ambiente do Chile, apontando outras ameaças como a gripe aviária de 2023 e 2024 e a captura acidental desses animais.
"Houve uma redução populacional no país de cerca de 50% nos últimos 10 ou 20 anos, o que é uma diminuição muito rápida", explica Alejandro Simeone, do Instituto One Health da Universidade Andrés Bello, em Santiago, Chile.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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