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Terra em desequilíbrio: ONU alerta para impactos climáticos que vão durar séculos

24/03/2026

Um relatório publicado nesta segunda-feira (23) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirma que o clima da Terra está mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história, e que as consequências desse desiquilíbrio vão reverberar por séculos, e potencialmente milênios.
Cada pessoa viva hoje cresceu em um mundo com extremos climáticos cada vez piores. No ano passado, uma enorme enchente inundou o Texas, geleiras na Islândia derreteram em velocidade recorde, um furacão atingiu a Jamaica com uma força quase sem precedentes, e o mundo enfrentou um calor recorde. A janela para mudar de rumo está se fechando rapidamente, alertam os cientistas.
"Cada indicador climático essencial está piscando em vermelho", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres. "A humanidade acabou de enfrentar os 11 anos mais quentes já registrados. Quando a história se repete 11 vezes, isso não é mais coincidência. É um chamado à ação."
O relatório aponta que, entre 2015 e 2025, foi a década mais quente já registrada, além disso, temperatura oceânica bateu recorde pelo nono ano consecutivo, fazendo que o nível médio do mar suba num ritmo mais rápido do que nas duas décadas anteriores desde 2012.
Dependendo do conjunto de dados utilizado, o ano passado foi classificado como o segundo ou terceiro mais quente já registrado, com uma temperatura aproximadamente 1,43 °C superior às registradas no período pré-industrial. Isso ficou um pouco abaixo do recorde de 2024, de 1,55 °C. A queda ocorreu devido à influência temporária de resfriamento do fenômeno climático global La Niña.
Em 2015, com o Acordo de Paris, os países concordaram em limitar o aquecimento global a 2 °C e, idealmente, a 1,5 °C, para evitar os piores impactos do aquecimento do planeta, que pode causar o colapso de diversos ecossistemas.
O principal fator que impulsiona a elevação das temperaturas são as crescentes concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, causadas em grande parte pela queima de petróleo, carvão e gás. O dióxido de carbono (CO2) atingiu, em 2024, a maior concentração atmosférica em pelo menos 2 milhões de anos e continuou subindo em 2025, segundo o relatório.
As conclusões trazem um senso de urgência particular para o ano que vem. O padrão climático de aquecimento El Niño pode retornar ainda este ano, algo que, segundo cientistas, pode provocar um novo salto nas temperaturas, alimentando mais eventos climáticos extremos.
Em 2025, ondas de calor, incêndios florestais, enchentes, secas e ciclones tropicais causaram milhares de mortes e bilhões em perdas econômicas. Somente os incêndios florestais na Califórnia, em janeiro do ano passado, provocaram mais de 60 bilhões de dólares (R$ 317 bilhões) em danos e se tornaram o evento desse tipo mais caro já registrado.
O relatório ressaltou ainda o crescente impacto das mudanças climáticas sobre a saúde, incluindo a dengue – a doença transmitida por mosquitos que mais cresce no mundo. Enquanto isso, 1,2 bilhão de trabalhadores, mais de um terço da força de trabalho global, estão expostos a um calor perigoso todos os anos.

Fonte: g1

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