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Derretimento da Groenlândia fará nação do outro lado do mundo sumir, diz enviado da ONU

27/01/2026

Em meio às ameaças de invasão de Donald Trump e do anúncio de um futuro acordo entre americanos e dinamarqueses, a Groenlândia está no centro das discussões na edição deste ano do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
A maior ilha do mundo é um caldeirão climático. Por um lado, o derretimento do Ártico, provocado pelo aquecimento global, deixa o território e seus vizinhos mais vulneráveis a potenciais ataques. Por outro, a Groenlândia é rica em minerais críticos para a transição energética, e o desaparecimento da sua camada de gelo facilita o acesso a esses recursos.
Os imensos volumes de água de degelo vindos da região já respondem por um quinto do aumento do nível do mar ao redor do planeta.
Para Peter Thomson, enviado especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas para os oceanos, é importante lembrar que isso tem relação direta com as nações insulares do Pacífico. "O derretimento da Groenlândia significa, na prática, o desaparecimento de uma nação do outro lado do mundo", afirma à Folha.
Ele ressalta que as escolhas que líderes globais fazem hoje definirão o futuro de ecossistemas frágeis e da estabilidade econômica regional no Ártico.
"Quando alguns países e empresas veem um Ártico livre de gelo, pensam imediatamente na exploração de petróleo, rotas de navegação transpolares e mineração em águas profundas. Minha proposta é simples: uma pausa preventiva nessas atividades", explica em entrevista à Folha por videochamada, diretamente dos Alpes Suíços.
O diplomata de Fiji foi um dos responsáveis pelo fórum ter adotado neste ano a temática "Davos Azul", dando espaço a discussões relacionadas à água —centrais para o debate da mudança climática.

Como a mudança climática está moldando o panorama de segurança mundial?

Um bilhão de pessoas estão enfrentando a crise climática de maneira existencial, por causa da elevação do nível do mar, das secas e das tempestades tropicais severas. Isso não é algo que possa ser ignorado.
No entanto, em um certo país está meio "cancelado" falar sobre a mudança climática, o que torna o cenário ainda mais difícil. Mas o mais importante é que o sistema das Nações Unidas e a grande maioria dos países, que são 193 nações, estão plenamente conscientes de que a crise climática é real e de que a transição verde está em andamento e, na nossa visão, é irreversível.
Isso porque essa transição não se baseia apenas na lógica científica, mas também econômica. Hoje é mais barato instalar energia solar ou eólica do que recorrer às antigas tecnologias de combustíveis fósseis. Existe um ditado: os cães ladram, mas a caravana passa. É mais ou menos onde estamos agora.
A geopolítica é um jogo de curto prazo. Eu sou velho o suficiente para lembrar de conflitos como a Guerra do Vietnã, que dominaram as manchetes por anos e hoje parecem episódios distantes da história.
Já as questões ambientais fazem parte de um jogo muito mais longo.

Qual é a relação entre a mudança climática e o interesse do presidente Donald Trump em anexar a Groenlândia? Como o derretimento do Ártico influencia essa decisão?

Não me considero qualificado para falar profundamente sobre a geopolítica da Groenlândia. Mas, em um discurso recente, o primeiro-ministro [canadense] Mark Carney fez uma declaração muito clara sobre a soberania da Groenlândia e sobre como o respeito à soberania territorial vai muito além desse caso específico, afetando a todos nós. E nós temos que defender nossos princípios.
Do ponto de vista ambiental, penso imediatamente no derretimento da camada de gelo da Groenlândia. Isso tem relevância direta para países [do Pacífico] como Tuvalu, que é formado por atóis de coral e não possui áreas elevadas. O derretimento da Groenlândia significa, na prática, o desaparecimento de uma nação do outro lado do mundo, já que toda essa água escoa para um único sistema oceânico.

Veja a entrevista completa na Folha de S. Paulo

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