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Ilha habitada por 25 mil garças ganha museu de observação

09/12/2025

O Museu da Zona Úmida de Yunlu, localizado no Parque da Zona Úmida de Yunlu, em Shunde (Guangdong, China), fica ao lado de uma ilha ecológica que abriga mais de 25 mil garças. O projeto combina, em um único edifício, um observatório de aves e um museu dedicado à ecologia das zonas úmidas, oferecendo aos visitantes uma experiência imersiva de educação ambiental e contemplação da natureza.
Uma zona úmida é um local onde a terra é coberta por água (salgada, doce ou intermediária) seja sazonalmente ou permanentemente. Tal ecossistema tem enorme importância na mitigação de eventos climáticos extremos ao absorver chuvas intensas e melhorar o fluxo da água, ajudando a prevenir inundações. Também oferece proteção contra secas, armazenando e liberando água lentamente.
Foi buscando aumentar a conscientização sobre a ecologia da zona úmida que foi construído o Museu da Zona Úmida. A história do museu começou há mais de duas décadas, quando Xian Quanhui, conhecido como Tio Pássaro, plantou um bosque de bambu que mais tarde atraiu milhares de garças. Seu esforço contínuo transformou a área em um verdadeiro “paraíso das garças” urbano.
Com o tempo, o governo de Shunde ampliou a área protegida em 13 vezes, restaurou sistemas hídricos e revitalizou o bambuzal em parceria com especialistas, resultando no atual Parque de Zonas Úmidas de Yunlu.
Os arquitetos escolheram posicionar o museu discretamente atrás de cedros existentes, reduzindo seu impacto visual. A estrutura é formada por quatro tubos verticais de concreto, semelhantes a “lentes” que se orientam horizontalmente para captar as atividades das garças.
Vista da Ilha das Garças, a construção praticamente se dissolve na vegetação subtropical, reforçando uma abordagem que privilegia a harmonização entre arquitetura e biodiversidade.
Cada tubo é rotacionado segundo as condições do terreno, criando quatro molduras visuais que revelam diferentes camadas da floresta: raízes, troncos, copas e o topo das árvores.
O visitante observa o movimento das sombras e o voo das garças a partir de vários níveis, desconstruindo a visão tradicional centrada no humano e substituindo-a por uma perspectiva orientada pela natureza.
Estrutura, iluminação, átrio vertical e “janelas-paisagem”
O museu utiliza um sistema estrutural de concreto armado em forma de caixa, onde paredes e lajes trabalham em conjunto para suporte. Claraboias superiores filtram a luz solar suavizada por vigas profundas, criando um ambiente que reflete o fluxo das estações e as transformações naturais ao redor.
Os quatro volumes são articulados por um átrio triangular vertical, que conecta todos os pavimentos. Esse espaço funciona como um ponto de observação comum, permitindo ver simultaneamente diferentes paisagens por meio das janelas moldadas ao final de cada tubo, como quadros naturais emoldurados pela arquitetura.
Para proteger o habitat do pântano, os arquitetos mapearam 560 árvores existentes, definiram a posição do edifício e reduziram sua área de construção, de forma a minimizar o desmatamento. O volume rotacionado de cada pavimento garante uma boa visão para a observação das aves sem comprometer a flora nativa.
A fachada é feita de concreto moldado in loco com tábuas de pinho, cuja textura remete à floresta ao redor. O telhado recebeu lagos de lótus e elementos hídricos ecológicos que suavizam o impacto visual do edifício, especialmente quando observado de cima. O projeto foi concluído em 2024.

Fonte: CicloVivo

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