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Cientistas que popularizaram a captura de carbono fazem alerta sobre a prática

18/11/2025

Em 2001, Kenneth Möllersten e Michael Obersteiner desenvolveram uma ideia inovadora que transformou a matemática das emissões de carbono —e o caminho para o mundo da neutralidade de carbono.
Na época, empresas de petróleo e gás estavam experimentando a captura de carbono dos combustíveis fósseis, um processo que reduzia as emissões da produção de energia para quase zero. Ao queimar plantas em vez disso, os dois pesquisadores concluíram que a indústria poderia gerar energia com emissões negativas: aquelas capturadas em árvores ou outros biocombustíveis, menos as capturadas da queima deles.
O conceito ajudou a abrir caminho para que o mundo adotasse as emissões negativas como parte central do planejamento climático. Isso se tornou um elemento-chave dos planos oficiais de redução de emissões apresentados à ONU (Organização das Nações Unidas) por grandes economias, incluindo Reino Unido, Brasil e Austrália.
Antes da COP30 em Belém, a maioria dos países que apresentaram planos de emissões com metas de carbono zero está dependendo da remoção de carbono para atingir seu objetivo, segundo análise do Climate Action Tracker, uma parceria de pesquisadores climáticos.
Mas Möllersten e Obersteiner estão longe de estarem entusiasmados. O problema, dizem eles, é que a captura de carbono foi concebida para cancelar emissões antigas. Isso gerou uma confiança excessiva de que a estratégia pode substituir qualquer redução difícil de ser feita nos combustíveis fósseis.
Muitos países, por exemplo, estão simplesmente planejando ultrapassar suas metas ou não se preocuparam em detalhar como as alcançarão. Cerca de 60 países atualizaram seus planos climáticos desde que o mundo concordou em fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis na COP dois anos atrás, mas nenhum deles incluiu metas para reduzir a produção de petróleo e gás.
Enquanto isso, cerca de 20% dos cortes de emissões prometidos não são contabilizados nos planos climáticos dos países, disse o grupo Climate Action Tracker. A suposição, acrescentou, é que grande parte disso será capturada.
"Enfatizamos que o potencial de futuras emissões negativas nunca deveria ser usado como desculpa para atrasar as reduções de emissões", disse Obersteiner, que agora é diretor do Instituto de Mudanças Ambientais da Universidade de Oxford. "Poderíamos chegar ao céu por tentar resolver o problema climático. Ao mesmo tempo, deveríamos ir para o inferno, porque criamos o overshoot."
"Overshoot" é a ideia de que é aceitável que o mundo ultrapasse as metas de temperatura climática porque depois podemos remover carbono da atmosfera. Isso se tornou parte das projeções climáticas usadas pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e posteriormente pelos governos para estabelecer suas próprias metas climáticas, diz Laurie Laybourn, diretor executivo da Strategic Climate Risks Initiative, um think tank que aconselha governos e empresas sobre riscos climáticos.
Ele entrevistou Möllersten e Obersteiner para o podcast "Overshoot: Navigating A World Beyond 1.5C", lançado no mês passado.
Os dois pesquisadores faziam parte de um grupo de cientistas que, no início dos anos 2000, buscavam um plano B caso outras abordagens para a redução de emissões, como a energia renovável, não conseguissem ser implementadas em larga escala a tempo. Mesmo que o mundo estivesse no caminho certo para limitar o aquecimento global, um mundo apenas 1°C ou 1,5°C mais quente do que a média pré-industrial teria problemas com eventos climáticos extremos, argumentavam eles.
Nas primeiras conferências sobre o clima, Möllersten e Obersteiner apresentaram sua ideia como uma forma de reduzir as concentrações de CO2 e mitigar esses efeitos.
Na época, as modelagens indicavam que reduzir as emissões o suficiente para impedir o aumento da temperatura seria difícil, e soluções como a remoção de carbono pareciam atraentes para cientistas e formuladores de políticas que trabalhavam com mudanças climáticas. Em 2007, os cientistas do IPCC abordaram a ideia em uma reunião e a incluíram em cenários sobre como o aquecimento poderia ser reduzido.
"As pessoas estavam usando esses resultados de modelagem sem conhecer as premissas e limitações", disse Laybourn. "Isso lhes deu o poder político para fazer algo nobre, que era dizer: 2°C é possível, 1,5°C é possível."
Desde então, houve duas décadas de aumento das emissões. Reverter parte delas é necessário se o mundo quiser ter alguma esperança de atingir as metas climáticas, diz Laybourn. Todos os cenários que envolvem limitar o aquecimento a 1,5°C e mesmo a 2°C envolvem a remoção de dióxido de carbono, disse o IPCC em seu relatório mais recente.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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