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Európio de lâmpadas pode ser reaproveitado em novas tecnologias

04/09/2025

Um grupo de cientistas da ETH Zurique encontrou uma solução simples para um problema complexo: recuperar európio de lâmpadas fluorescentes descartadas. Esse metal é uma das chamadas terras raras, fundamentais para tecnologias modernas como telas, baterias e equipamentos da transição energética. O desafio sempre foi extraí-lo sem processos longos, caros e poluentes.
Até hoje, a recuperação de európio exigia mais de 100 etapas com ácidos fortes, querosene e alto gasto de energia. A equipe suíça conseguiu substituir tudo isso por uma única reação química seletiva, que age como um “ímã” para atrair o metal.
O novo processo é 50 vezes mais eficiente do que os atuais, não utiliza substâncias tóxicas e pode ser aplicado localmente, sem depender da importação de minerais. Para se ter uma ideia, o pó de fósforo presente em uma lâmpada fluorescente tem até 17 vezes mais elementos de terras raras do que os melhores minérios naturais. Ou seja, um resíduo considerado lixo pode virar um recurso valioso.
Apesar de pouco conhecido pelo público, o európio é estratégico. Ele está em telas de TV, lâmpadas, celulares e até em componentes usados em energia limpa. No entanto, sua reciclagem ainda é mínima: na União Europeia, menos de 1% das terras raras é reaproveitado a cada ano. Hoje, a China domina 90% do mercado global, o que gera dependência e riscos para a cadeia de suprimentos.
Recuperar esse metal de resíduos eletrônicos pode reduzir tanto a pressão sobre a mineração quanto a dependência de países exportadores. Além disso, representa uma alternativa mais sustentável, já que a mineração tradicional libera grandes quantidades de gases de efeito estufa e produz resíduos perigosos.
O método criado pelos pesquisadores foi batizado de EarthSnap. Ele utiliza um pó amarelo à base de enxofre e tungstênio, desenvolvido pela doutoranda Marie Perrin. Esse composto altera a carga elétrica do európio, facilitando sua separação do restante da mistura. O resultado é um material sólido que pode ser facilmente filtrado.
O processo acontece em condições simples, à temperatura ambiente ou com aquecimento leve, sem necessidade de radiação ultravioleta ou reagentes agressivos. Além de recuperar quase todo o európio de uma só vez, gera apenas uma pequena quantidade de subproduto, fácil de manejar. Os testes também mostraram que o reagente pode ser reutilizado várias vezes sem perda de eficiência, reforçando o caráter sustentável da técnica.
Para transformar essa descoberta em solução prática, Perrin e o pesquisador Victor Mougel criaram a startup REEcover. O objetivo é desenvolver unidades compactas capazes de processar lâmpadas fluorescentes usadas e, no futuro, aplicar a mesma tecnologia em outros resíduos, como ímãs de turbinas eólicas e motores elétricos.
Depois de recuperado, o európio pode ser convertido em óxido e reutilizado na fabricação de novos produtos de alta tecnologia. Isso fecha um ciclo que evita desperdício, diminui custos e fortalece a economia circular.
O mundo gera toneladas crescentes de lixo eletrônico. Em 2022, foram 62 milhões de toneladas, e a previsão é chegar a 82 milhões até 2030. Dentro desse material, há metais valiosos que, se recuperados, poderiam financiar parte do próprio descarte e reduzir a exploração de novos depósitos.
Na Suíça, os resíduos atuais de lâmpadas já seriam suficientes para suprir toda a demanda nacional de európio. Esse exemplo mostra como a reciclagem local pode transformar um passivo ambiental em um ativo econômico.
A tecnologia desenvolvida pela ETH Zurique representa mais que uma solução científica: é um caminho viável para repensar como lidamos com os recursos do planeta. Ao recuperar európio de resíduos, reduz-se a dependência de importações, corta-se a poluição e estimula-se uma cultura de reaproveitamento.
Se aplicada em larga escala, a inovação pode fortalecer a indústria limpa, incentivar plataformas regionais de reciclagem e abrir novas oportunidades econômicas. Mais do que um avanço técnico, é um sinal de que é possível transformar lixo eletrônico em riqueza e caminhar para um modelo de desenvolvimento mais sustentável e equilibrado.

Fonte: CicloVivo

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