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A batalha para salvar o raro macaco de nariz arrebitado da China

28/08/2025

Até os anos 1980, as pessoas percorriam as montanhas de Shennongjia, no centro da China, caçando macacos por sua carne e pele.
Agricultores pobres seguiram desmatando grandes áreas, e, à medida que o ambiente ao redor se degradava, a população local de macaco-dourado-de-nariz-arrebitado caiu para menos de 500 na natureza.
Essa era a situação quando Yang Jingyuan, então com pouco mais de 20 anos, chegou em 1991. "A exploração madeireira destruía o habitat, e a população de macacos diminuía rapidamente", diz. "Com a proteção da área, o número de macacos voltou a crescer."
Hoje, o professor Yang dirige o Instituto de Pesquisa Científica do Parque Nacional de Shennongjia e é considerado o maior especialista na espécie.
O professor Yang, 55, dedicou a vida profissional a estudar e proteger a subespécie ameaçada de macaco-dourado-de-nariz-arrebitado, exclusiva das montanhas da província de Hubei. Ele nos levou à floresta para conhecê-los.
Perguntei se era verdade que agora ele entende o que muitos dos seus ruídos significavam. "Sim", respondeu. "Yeeee está avisando aos outros que a área é segura. Eles podem vir. Wu-ka quer dizer que é perigoso. Tenham cuidado."
E, de fato, lá estava ele fazendo vários barulhos enquanto os macacos desciam das árvores, segurando nossas mãos, nos tocando e observando os humanos. Assim que nos sentamos no chão para acalmá-los, Yang disse que esses animais têm uma estrutura social complexa.
Com filhotes pulando no colo e rastejando sobre nós para ver o que acontecia, o professor Yang explicou a divisão dos grupos: um macho, chefe de um grupo familiar, pode ter de três a cinco fêmeas, além dos filhotes. As famílias se juntam e formam bandos maiores, que podem passar de cem macacos.
Machos solteiros formam seus próprios grupos, às vezes atuando como guardas. As fêmeas mantêm relações fora da família, o que provoca tensão e brigas —não só quando um macho assume o lugar do chefe, mas também quando tribos inteiras disputam território.
Aos seis anos, as fêmeas sabem quando é hora de deixar a família e se juntar a outra, evitando a endogamia. Os animais, que vivem até cerca de 24 anos, também parecem reconhecer a hora da morte.
Segundo guardas florestais, perto do fim da vida eles buscam um local tranquilo e solitário e partem sozinhos. Os locais são tão isolados que, em décadas, nunca foi encontrado o corpo de um macaco morto.
O fato de esses animais únicos poderem hoje viver assim em uma área de 400 km² marca uma grande diferença em relação ao passado.
Embora o parque nacional tenha sido criado em 1982, Fang Jixi, 49, guarda florestal que cresceu na região, disse que levou muitos anos até que agricultores em dificuldade parassem de destruir o ambiente.
"As pessoas eram muito pobres nessas montanhas e a fome era uma preocupação real. Não existia a noção de proteger animais silvestres", afirmou.
"Mesmo depois da proibição da exploração madeireira, ainda havia gente derrubando árvores ilegalmente. Se não cortassem, como conseguiriam dinheiro? Também havia caça clandestina para sobreviver. Só após um longo processo de conscientização os agricultores locais mudaram de atitude."
Parte desse processo foi incluir os próprios agricultores como protetores da floresta, em vez de destruidores.
"Quando a mudança ocorreu, foram os cientistas que disseram: vocês podem trabalhar conosco. Podem ter um emprego aqui ajudando os animais", contou Fang.
Hoje ele integra uma equipe que patrulha as montanhas em busca de caçadores e, principalmente, de sinais dos macacos, para que pesquisadores estudem onde dormem, se alimentam e dão à luz.
Encontrá-los não é fácil. Os animais percorrem pela copa das árvores, em minutos, uma distância que um ser humano levaria uma hora para caminhar.
Além disso não se aproximam naturalmente de pessoas, sobretudo porque, no passado, esse contato poderia representar risco para eles. Reverter a situação exigiu um grande esforço.
O avanço decisivo na preservação ocorreu em 2005, quando o professor Yang e um pequeno grupo criaram uma equipe especializada de pesquisa.
Para conseguir contato com o grupo específico de macacos entre os quais estávamos na floresta, a equipe levou um ano inteiro de aproximação. "No começo eles tinham muito medo. Quando nos viam de longe, fugiam todos", disse Yang.
Mas, mês após mês, a distância de 800 metros caiu para 500, depois 200, até que os animais permitiram a presença da equipe. "Fiquei muito animado porque, finalmente, eles se tornaram meus amigos. Podíamos estar juntos e nos comunicar todos os dias", contou.

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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