
11/04/2023
Autoridades e consumidores vão ganhar ferramentas para saber se a madeira e produtos feitos de madeira da Amazônia tem origem ilegal ou autorizada. O Google e a The Nature Conservancy (TNC) no Brasil anunciaram a criação do projeto ‘Digitais da Floresta’ que vai desenvolver tecnologias baseadas em Inteligência Artificial (IA) e bioquímica para ajudar a identificar e rastrear a origem da madeira comercializada a partir da Amazônia.
As informações vão estar disponíveis em uma plataforma de inteligência (aplicativo e web), que vai apontar a origem de determinada madeira ou produto. Ao final do projeto, a plataforma on-line será disponibilizada via web e aplicativo para o uso de qualquer pessoa e entidades interessadas em monitorar zonas de desmatamento.
A apresentação dos dados será simplificada para que eles sejam facilmente também utilizados por consumidores, empresas, organizações ambientais e pelas autoridades para coibir crimes ambientais, entre outros.
Segundo a TNC Brasil, em todo o mundo, empresas e consumidores vêm pressionando por cadeias de carne, soja e outras commodities produzidas em áreas livres de desmatamento. No entanto, essas exigências ainda não atingiram a maior parte do setor madeireiro, que continua enfrentando desafios em relação à derrubada ilegal da floresta e à venda da madeira irregular a um preço mais baixo.
Com a colaboração Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e a Trase, a iniciativa tem potencial de reduzir as emissões do Brasil em 178 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, o que representa 13% da meta brasileira de reduções de emissões até 2030.
Segundo um estudo da Rede Simex feito a partir de imagens de satélite obtidas entre agosto de 2020 e julho de 2021, cerca de 40% da extração de madeira na Amazônia ocorre em áreas não autorizadas. Isso significa que em um ano, uma área equivalente à cidade de São Paulo teve exploração madeireira irregular.
Nesse contexto, os métodos tradicionais de rastreabilidade usam informações para identificar um produto por meio da cadeia de suprimentos. Mas, para dar visibilidade à origem da madeira comercializada, o Digitais da Floresta propõe que essa identificação seja feita baseada na composição química e isotópica das árvores nativas.
Uma das tecnologias do projeto visa criar um modelo de rastreabilidade baseada no uso de isótopos estáveis para mapear a “impressão digital química” de árvores da Floresta Amazônica. Essa “digital”, baseada na distribuição de isótopos estáveis de carbono, oxigênio e nitrogênio encontrados nas árvores, não pode ser alterada e é imune à falsificação.
“Em cada localidade, a composição isotópica da água da chuva e, consequentemente, a água no solo têm uma composição característica de isótopos estáveis, que são tipos de átomos do mesmo elemento, mas com massa atômica ligeiramente distinta. Durante a vida, as árvores absorvem a água e outros elementos químicos, principalmente do solo e acabam apresentando uma composição isotópica semelhante à do local onde vivem. É uma espécie de “impressão digital” isotópica única. É assim que a iniciativa buscará identificar de onde vem a madeira”, explica Frineia Rezende, Diretora Executiva da TNC Brasil.
Em parceria com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP (CENA/USP), a TNC já iniciou um processo de análise de mais de 250 amostras de diferentes árvores nativas em vinte regiões do bioma, focando principalmente nas espécies mais exploradas comercialmente.
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