
04/04/2023
Os acidentes com tubarões em todo o mundo atingiram o menor patamar da última década em 2022: foram 57 ataques, com cinco mortes. No ano anterior, foram registrados 73 casos.
Em 2020, primeiro ano da pandemia da Covid, também foram registrados 57 casos, fato atribuído ao menor número de pessoas no mar devido às restrições impostas pela emergência sanitária.
Os dados são do Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões, produzido pelo Museu de História Natural da Flórida (EUA). Nos últimos dez anos, só em 2022 e em 2020 foram registrados menos de 60 ataques por ano —o recorde são os 98 registros de 2015.
Apesar disso, o Brasil possui a maior taxa de letalidade nos ataques, de 30% (3 em 10) dos acidentes em 2021 –contra 1% e 14% nos dois locais com o maior número de registros de ataques de tubarão, a Flórida e a Austrália.
Segundo o biólogo e professor da Unesp Otto Bismarck, isso ocorre porque na Flórida os tubarões que mais provocam incidentes são o tubarão-galha-preta (Carcharhinus limbatus), menores e com menor risco de fatalidade, enquanto locais como Pernambuco têm as espécies cabeça-chata (Carcharhinus leucas) e tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) como principais.
"Diferentes espécies estão envolvidas em diferentes riscos. Além disso, outro fator que vai influenciar a gravidade é a infraestrutura para realizar o primeiro resgate. Infelizmente aqui vemos com frequência dez, 20 pessoas em volta da pessoa com o ferimento filmando e poucos socorros sendo prestados", lamenta.
Segundo Gavin Naylor, diretor do programa de pesquisa em tubarões do museu americano e coordenador da pesquisa, o mais importante é entender porque os números oscilaram tão pouco no período. .
"A flutuação do número de acidentes parece variar muito pouco, mas isso pode ser porque os lugares com maior infraestrutura e melhor comunicação são os que registram mais. É provável que outros acidentes ocorram em lugares onde não há o monitoramento tão preciso", afirma ele.
A queda nos acidentes, segundo o relatório, pode estar atribuída a uma redução na população de todas as espécies de tubarões no mundo, mas também por medidas de segurança e conscientização nas praias.
"Mais e mais pessoas estão nas praias, e os acidentes só ocorrem quando há tubarões próximos às praias e muitas pessoas também no mar. Hoje temos alguns casos de sucesso de comunicação de risco e prevenção de acidentes em praias populosas no mundo", diz.
Dentre as medidas citadas estão não entrar na água quando ela estiver com baixa visibilidade, evitar áreas onde são vistos peixes "pulando" para fora d’água ou linhas de pesca —uma vez que os tubarões podem estar caçando ativamente os peixes— e evitar usar joias, relógios e pulseiras no mar, uma vez que a luz pode refletir e o brilho pode ser confundido com uma presa.
Já os fatores que levam à queda nas populações de tubarões são a pesca excessiva, o desequilíbrio ambiental e a redução global de peixes nos oceanos, que são os alimentos preferenciais dos tubarões. Um estudo mostrou que os tubarões e raias de corais são os mais ameaçados do mundo, atrás somente dos mamíferos aquáticos.
Para Naylor, houve uma queda notável no número de acidentes fatais nos últimos cem anos. "Isso se deve muito por políticas locais de prevenção e de como agir em casos de mordida de tubarão, reduzindo significativamente o tempo entre o ataque e o atendimento médico", explica. "No caso de uma mordida próximo à veia femoral, a janela de tempo é de minutos."
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
A Europa desconfia do “sustentável”: para vender lá, precisa provar.
06/10/2026
´O gado está morrendo de sede e fome´: o impacto devastador do El Niño no Corredor Seco da América Central
06/10/2026
Mundo pode ter tratado sobre a poluição por plástico em 2027, diz embaixador chileno
06/10/2026
Da conversa à implementação: o que vivi nas mesas da Orbis em NY
06/10/2026
Guerra no Irã pode reduzir emissões de gases de efeito estufa em 2026, mas efeito ainda é incerto; entenda
06/10/2026
Com El Niño, praias estão desaparecendo na Califórnia
06/10/2026
