
12/07/2022
Foi lançada na última sexta-feira (8) uma ferramenta inédita: o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades, que revela como as cidades brasileiras estão nos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. Ela contribuirá para que as metas assumidas pelo Brasil em 2015 sejam também incorporadas pelas cidades, importantes agentes de transformação social.
O Índice traz um grave alerta: nenhuma cidade brasileira alcançou o nível muito alto de desenvolvimento. Dos 5.570 municípios, 752 estão no nível muito baixo, o que dá a medida do enorme desafio que ainda temos pela frente.
Mas ele também permite que gestores públicos, sociedade e empresas tenham uma visão geral e integrada da cidade, identificando suas virtudes e fragilidades nos ODS. Para sua elaboração foram pesquisados cem indicadores públicos que permitem saber como está a cidade em temas como saúde, educação, pobreza, equidade de gênero, clima, entre outros.
Sempre houve uma dificuldade em enxergar a cidade de maneira integrada, e este é um dos méritos do Índice, criado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a SDSN (Sustainable Development Solutions Network) no âmbito do projeto Citinova. O Brasil se torna o primeiro país do mundo a avaliar a evolução de todas as suas cidades nos 17 ODS da Agenda 2030.
Da análise individual surge o Ranking ODS Cidades, que aponta o nível de desenvolvimento sustentável de todas as 5.570 cidades brasileiras. A primeira cidade no ranking é São Caetano do Sul, nota 65 de 100, com alto nível de Desenvolvimento Sustentável. Entre as capitais, São Paulo, Curitiba e Florianópolis são as mais bem colocadas.
Um mapa interativo traz a visão do país, permitindo recortes de estados, regiões e biomas, que evidenciam as flagrantes desigualdades territoriais do Brasil. São Paulo é o estado com melhor pontuação média das cidades e a Região Norte é onde estão as últimas na classificação.
Ao analisarmos o país a partir dos seus biomas, verifica-se que nove, das dez piores cidades brasileiras, estão localizadas na Amazônia. O mapa dá uma ideia da complexidade deste bioma, que vem recebendo atenção do mundo inteiro, cada vez mais atento à importância de suas florestas e biodiversidade.
Além de contribuir com os governos locais, o Índice poderá provocar ações dos governos estaduais e federal, definindo prioridades e investimentos para as regiões mais vulneráveis e reduzindo as desigualdades territoriais.Nas eleições que se aproximam, será papel dos candidatos aos governos dos estados e à presidência da República incorporarem um olhar apurado para as cidades, tanto pela necessidade de um novo Pacto Federativo, com uma distribuição de recursos entre os entes da federação compatível com a responsabilidade que as cidades assumiram nos últimos anos, como para estimular e apoiar a promoção de uma melhor qualidade de vida da população.
Como anda o desenvolvimento sustentável de sua cidade? Os dados do IDSC-Br estão disponíveis gratuitamente para toda a sociedade na plataforma www.idsc.cidadessustentaveis.org.br
Fonte: Folha de S. Paulo
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