UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Estudo quantifica impacto humano sobre a capacidade de retenção de carbono da Mata Atlântica

23/06/2022

Entre os inúmeros benefícios das florestas nativas está o grande potencial de estocar carbono na biomassa de suas árvores, o que pode contrabalancear as emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera. Estudo publicado na última sexta (17) na revista Science Advances traz novos subsídios para compreender o conceito de "sequestro de carbono", um aspecto estratégico no debate sobre mudanças climáticas globais.
"Ainda sabemos pouco sobre quais são os fatores que podem levar florestas a estocar mais ou menos carbono", diz Renato Augusto Ferreira de Lima, pesquisador do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), atualmente no Centre for the Synthesis and Analysis of Biodiversity (Cesab, com sede em Montpellier, França), e um dos dez cientistas que assinam o artigo.
"Neste trabalho nós usamos uma grande base de dados de inventários florestais para avaliar quais são os fatores que têm maior peso para explicar os estoques de carbono atuais na Mata Atlântica. Encontramos que os fatores ligados aos diferentes tipos de impactos humanos sobre a floresta têm o maior peso, sendo este duas a seis vezes maior que fatores como clima, solo e características das espécies de árvores que compõem a floresta", explica.
Portanto, reverter os efeitos dos impactos humanos nos remanescentes de Mata Atlântica seria a melhor estratégia para aumentar os estoques de carbono florestais. Atualmente, cerca de 50% da população brasileira reside em áreas originalmente ocupadas pelo bioma.
Segundo Marcela Venelli Pyles, doutoranda em ecologia aplicada do Departamento de Ecologia e Conservação da Universidade Federal de Lavras (UFLA), que lidera o estudo, a conservação dos estoques de carbono da Mata Atlântica é altamente dependente da degradação florestal, que pode levar a perdas de carbono pelo menos 30% maiores do que qualquer futura mudança climática.
Além disso, as emissões da degradação florestal podem comprometer os esforços de conservação de acordos de mitigação das mudanças climáticas, por exemplo, metas de REDD+ (instrumento desenvolvido no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por seus resultados relacionados à recuperação e conservação de suas florestas) e Aichi (20 proposições voltadas à redução da perda da biodiversidade aprovadas na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica).
Por exemplo, a intensificação de distúrbios dentro de um fragmento de Mata Atlântica pode levar a perdas de carbono de até 10,50 toneladas por hectare, correspondente a emitir 15,24% do carbono estocado em 1 hectare, enquanto a proteção pode alcançar ganhos de carbono no montante de 12,02 toneladas por hectare (+17,44% de estocagem).
Além da degradação pela ação humana, a pesquisa apurou o quanto os estoques de carbono da Mata Atlântica são ameaçados pelas mudanças climáticas, mais especificamente aumento de temperatura e estresse hídrico. Se o aquecimento global for restringido a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, como sugerido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, 3,53 toneladas por hectare (+5,12%) de carbono seriam liberadas apenas da Mata Atlântica. "Mas se o aquecimento global continuar em sua taxa atual, as emissões de carbono podem exceder 9,03 toneladas por hectare [+13,11% em emissões de carbono]", complementa Pyles.
O artigo ainda indica que as iniciativas com o objetivo de mitigar as mudanças climáticas por meio da restauração de florestas poderiam se beneficiar da inclusão de espécies com maior densidade de madeira, sementes mais pesadas e folhas maiores. O grupo de pesquisadores alerta que as políticas de conservação de carbono devem levar em conta aspectos metodológicos usados para a quantificação dos estoques de carbono. "As diferenças entre metodologias utilizadas em campo podem levar a erros na estimativa de carbono e, consequentemente, à má interpretação e ineficiência de ações de mitigação do clima", explica Pyles.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

Novidades

Helicóptero lança ´chuva´ com 4 toneladas de sementes para reflorestar área de Mata Atlântica e recuperar palmeira ameaçada no ES

13/10/2026

Cerca de quatro toneladas de sementes de palmeira-juçara (Euterpe edulis) foram lançadas de um helic...

Desmatamento cai 30% no cerrado e sobe 9% na amazônia em setembro

13/10/2026

Os índices de desmatamento caíram no cerrado e subiram na amazônia em setembro. A área sob alerta na...

Queimadas quase quadruplicam no Amazonas, e Manaus fica sob fumaça; entenda o cenário

13/10/2026

Manaus amanheceu nesta sexta-feira (9) mais uma vez coberta de fumaça. A Defesa Civil disparou um al...

FAB envia aviões para ajudar no combate a queimadas no Amazonas

13/10/2026

A FAB (Força Aérea Brasileira) vai enviar dois aviões para ajudar no combate aos incêndios florestai...

Manaus atinge níveis graves de poluição por fumaça de queimadas

13/10/2026

A qualidade do ar em Manaus chegou a níveis graves para a população e fez a Defesa Civil disparar al...