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Mar avança no Rio Amazonas e ribeirinhos de arquipélago ficam sem água potável: ´não presta nem para beber´

14/10/2021

As águas doces da Foz do Rio Amazonas, no Amapá, voltaram a sofrer o fenômeno de "salinização" neste semestre. O Oceano Atlântico avança sobre o rio e isso dificulta o dia a dia de ribeirinhos, que relatam que a água fica imprópria para o consumo e até para realizar atividades básicas como lavar roupas e louças.
O problema afeta principalmente quem mora no conjunto de ilhas na região do Arquipélago do Bailique, distrito a 12 horas de barco de Macapá.
Um estudo do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) busca entender se a aceleração do fenômeno, que é natural, ocorre em função do desmatamento ambiental e do assoreamento do Rio Araguari, que desagua no Amazonas.
De acordo com moradores da comunidade, há quatro anos eles vêm percebendo a mudança nas águas que banham as ilhas. O fenômeno acontece durante o verão amazônico (ao longo do 2º semestre), e se intensificam a partir do mês de setembro.
Neste ano, desde a segunda quinzena de setembro, o rio já apresenta salinização e, com essa mudança, e as famílias da região, especialmente as mais carentes, sentem os danos do avanço da água do mar. Eles relatam sede e fome por não terem acesso a água potável e não conseguirem tratar o líquido do rio.
Há ainda aqueles que sobrevivem da venda de pescado, que tem ficado escasso com o avanço cada vez mais severo da água salgada.
É o caso de Edina Barbosa dos Santos, que mora na comunidade há mais de 25 anos. Ela sempre utilizou a água do rio para beber, fazer a higiene pessoal e da residência, mas nesse período não consegue mais usá-la. As falhas no fornecimento de energia só pioram o que não está fácil.
"Nós não temos água aqui, nós não temos a luz que nós precisamos. A água que eu preciso eu pego no igarapé. Eu tenho uma boa idade, mas, mesmo assim eu pego [água], mas agora ela não presta nem para a gente beber", reclamou a moradora.
Como alternativa, a população do Bailique busca em embarcações carregamentos de água nas margens da Ilha do Marajó, no estado do Pará. É assim que boa parte dos moradores tem se virado para continuar tendo acesso ao recurso básico para a existência humana.
Por outro lado, há escassez de combustível, um produto que em todo o país enfrenta frequentes altas no preço. Isso torna inacessível até mesmo essa alternativa pensada pelos ribeirinhos.
"A gente tem que se deslocar da comunidade até por não ter aquele abastecimento suficiente de água mineral. A gente vê que tem pessoas na comunidade com dificuldade de se deslocar, de sair até às margens do rio de água doce na região do Pará", contou morador Edinei Silva.
Não é só no verão amazônico que fenômenos naturais ganham proporções que dificultam o dia a dia dos ribeirinhos do Bailique.
O arquipélago também sofre com as chamadas "terras caídas", resultado da força do rio que provoca a erosão de áreas ribeirinhas durante o período chuvoso, que ocorre no primeiro semestre do ano. Desde 2015, o distrito tem decretado situação de emergência devido os imóveis ficarem destruídos pelas erosões. Esses problemas têm gerado, até mesmo, evasão de moradores da região.

A matéria completa pode ser lida no g1

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