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Consumidores ainda não se livraram da geosmina; problema começou há 40 dias

13/02/2020

Quarenta dias depois do choque de “receber” em casa a geosmina, moradores da Região Metropolitana ainda não conseguiram se livrar desse “visitante” indesejado que tem deixado a água com gosto e cheiro de terra. Apesar de a Cedae garantir que testes apontam a qualidade do produto distribuído, basta abrir a torneira para aquele odor desagradável se espalhar pelo copo. A psicóloga Sandra Valéria, que mora há 45 anos na Tijuca, disse que nunca havia passado por uma situação parecida. Ela e a família só usam água mineral desde o início do ano. Até para cozinhar:
— A água ainda sai da bica com um cheiro muito forte de terra. Por isso, nós chegamos a gastar R$ 200 por semana com água mineral. Além do gosto ruim, eu sinto que o cheiro de cloro aumentou muito — contou.
Já o economista Cláudio Araújo, que também mora no bairro, percebeu que, em seu prédio, a água tem chegado com o cheiro menos intenso. Porém, o gosto de terra continua:
— Eu já tive que comprar garrafa de 1,5 litro por R$ 5. E, lá em casa, um fardo acaba fácil comigo, minha mulher e meus dois filhos. Já estamos há um mês nessa “brincadeira”.
Na Zona Sul, a situação é praticamente a mesma. No Largo do Machado, a artista plástica Raquel Pimentel, que mora em uma casa de vila, já toma água mineral normalmente, mas chegou a passar mal depois que escovou os dentes com a água da torneira. Hoje, ela sente que a água continua saindo com cheiro ruim:
— Se antes eu não confiava na água da Cedae nem para cozinhar, agora mesmo é que não confio de forma alguma. As pessoas achavam estranho meu hábito de só tomar água mineral, mas agora me entendem.
Moradora de Laranjeiras, a dona de casa Fátima Sales sentiu, no início da semana, que o gosto forte da água filtrada em casa havia diminuído. Porém, a água que sai de sua bica ainda não serve para cozinhar:
— Você faz um macarrão, passa um café e sente que o alimento muda de sabor. Não tem condição.
Em Copacabana, a arquiteta Tânia Rangel, que já gastou R$ 150 em água mineral, notou que o fornecimento no seu prédio também não teve melhora alguma:
— Além disso, estou com uma infecção urinária complicada até hoje. Estou tomando remédios fortíssimos, e o médico me disse que isso pode ser consequência da água contaminada.
Na Zona Oeste, a situação também não teve avanços. No bairro do Pechincha, a enfermeira Natália Chaves ainda sente cheiro e gosto de terra na água. Por isso, continua a manter a despesa com água mineral:
— Eu vou continuar a evitar a água da Cedae. Não confio mais.

Fonte: O Globo

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